terça-feira, 13 de março de 2012

DNA de plantas revela que feijão surgiu no México

Ficha de Leitura nº5
Unidade: Património Genético
Assunto: DNA das plantas
Pesquisador: João Paraíso


"A diversidade genética actual pode não ser um retrato preciso da origem da planta há milhares de anos

Quando falamos de gastronomia mexicana o prato mais aclamado é o chilli (receita com feijão). Não é por acaso que esta leguminosa é tão importante na dieta deste país. Estudos realizados ao DNA de mais de uma centena de diferentes variedades de feijão, apontam o México como o centro da origem da planta.

Na tentativa de saber mais sobre a história deste produto alimentar, uma equipa do Centro de Investigação Agrícola italiano, liderada por Roberto Papa, estudou o genoma de de formas selvagens da planta em cinco diferentes regiões. O estudo vem publicado na edição electrónica da revista científica «PNAS».

O Phaseolus vulgaris foi levado para Norte mais tarde. (Imagem: miRNEST)
O Phaseolus vulgaris foi levado para Norte mais tarde. (Imagem: miRNEST)




















Ao longo dos anos, arqueólogos e botânicos apostavam nos Andes – geralmente o centro de origem de plantas domésticas, como a batata –, como sendo o berço do feijão comum (Phaseolus vulgaris), defendendo que a planta teria sido posteriormente levada para o Norte. Recorde-se que antes de Cristóvão Colombo e Pedro Alves Cabral, a planta já era uma parte importante da dieta indígena em 1500.

Geralmente, quando um ser vivo se espalha de uma região para outra, as áreas por onde passa abrigam menos diversidade genética do que as de origem. É o caso do ser humano: os africanos são mais diversos geneticamente que os europeus, por exemplo.

No entanto, segundo um investigador que se tem dedicado ao estudo desta planta disse a um diário brasileiro, “a diversidade genética actual do feijão pode não ser um retrato preciso da origem da planta há milhares de anos”."

Bactérias têm uma "estratégia bem pensada"

Ficha de leitura nº2
Conteúdo/assunto: Bactérias/controlo de doenças
Pesquisadora: Sara Alberto


Dois grupos de investigação, do Instituto Gulbenkian de Ciência e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e do Instituto Pasteur, descobriram a causa para a maior proliferação de certas doenças do que outras, dividindo as bactérias em dois grupos de acordo com a velocidade de reprodução e "estratégia de ataque".





Dois grupos de investigação, do Instituto Gulbenkian de Ciência e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e do Instituto Pasteur, França, acabam de desvendar por que razão bastam dez células de Mycobacterium tuberculosis para causar tuberculose, enquanto são necessárias dezenas de milhões de células de Vibrio cholera para causar cólera.

O estudo, publicado na última edição da revista PLoS Pathogens, ajudou os investigadores a caracterizar dois grandes grupos de bactérias: as mais infecciosas que são capazes de invadir e/ou destruir células do sistema imune do hospedeiro e as menos infecciosas que se multiplicam mais rapidamente e que comunicam umas com as outras.
“Com este trabalho compreendemos algo muito ‘antigo’: porque é que algumas espécies têm uma dose infecciosa tão alta e outras tão baixa”, afirma Francisco Dionísio ao Ciência Hoje.

O investigador da FCUL, líder da equipa portuguesa de investigação, explica que a literatura científica médica refere muitas vezes que uma espécie bacteriana tem dose infecciosa baixa enquanto outra espécie tem dose infecciosa alta, sem nunca proceder a uma definição científica do que é um valor baixo ou alto.
“Se para a espécie Orientia tsutsugamushi bastam três células bacterianas para causar sintomas e para outras espécies como Gardnerella vaginalis precisamos de milhares de milhões de células para que causem doença, podemos facilmente caracterizar O. tsutsugamushi como sendo de dose infecciosa baixa e G. vaginalis como sendo de dose infecciosa alta”, exemplifica.
O cientista diz que ao recorrer a métodos estatísticos compreendeu que não existem dois grupos, um de valores baixos e um outro de valores altos, mas sim um contínuo de valores. “Então, perguntámos nós, o que explica esta enorme diversidade se o hospedeiro é sempre o mesmo, o Homem?”.
Colónias de bactérias em cultura no laboratório (Crédito: João Gama e Francisco Dionísio)
As grandes diferenças, compreenderam, são que "as espécies bacterianas de dose infecciosa baixa matam ou inserem-se em células do nosso sistema imunitário e dividem-se devagar; por outro lado, as de dose infecciosa alta são rápidas a multiplicar-se e têm maior probabilidade de conter sistemas para comunicarem entre si e têm sistemas de mobilidade”.
Estas conclusões têm implicações em saúde pública pois ajudam a identificar padrões actuais na capacidade de infecção das bactérias e contribuem para prever a evolução da infectividade dessas bactérias no futuro.
“O que fizemos foi relacionar informação e perceber que as bactérias têm alguma lógica: se não têm um alvo muito específico têm de entrar no ser humano em grande quantidade e ter uma taxa de replicação muito alta para coordenarem bem o seu ataque”. Esta é, de acordo com o investigador, “uma estratégia militar bem ‘pensada’!”.
Apesar de haver dois grupos distintos (um dose alta versus dose baixa) os investigadores ainda detectam uma enorme diversidade em cada um deles. Assim, os próximos passos na investigação serão perceber porque existe essa diversidade e se terá alguma relação com os sistemas de resistência a antibióticos mais encontrados em cada uma das bactérias destes grupos.

domingo, 11 de março de 2012

Coca-Cola e Pepsi alteram receita para evitar alerta cancerígeno

Ficha de Leitura nº5
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças


A Coca-Cola e a Pepsi vão alterar a receita dos seus refrigerantes para não terem de pôr avisos contra o cancro nos rótulos. As autoridades californianas consideram que um dos corantes que dão o tom caramelo às bebidas é potencialmente cancerígeno. As marcas foram obrigadas a mudar a receita neste estado e, para diminuir custos, decidiram adotar a nova receita em toda a fabricação. "Apesar de considerarmos que não há qualquer risco para a saúde pública que justifique esta alteração, pedimos aos nossos fornecedores de caramelo para alterarem a quantidade do corante 4-metilimidazol para que as nossas bebidas não tenham que exibir um aviso no rótulo que não tem qualquer fundamento", explicou à AP a porta-voz da Coca-Colca Diana Garza Ciarlante. A relação entre este corante e a doença cancerígena não está provada. A autoridade norte-americana para a saúde (Food and Drug Administration) afirma que uma pessa teria de beber mais de mil latas de Coca ou Pepsi por dia para ingerir a mesma quantidade de químico que foi dada aos animais que se sujeitaram ao teste em laboratório.

Pesquisador: Miguel Almeida
Fonte:http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2351059&seccao=Sa%FAde

Muito exercício pode afetar o coração

Ficha de leitura nº 4
Assunto/Conteúdo: exercício pode afetar coração
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças





Uma pesquisa feita na Universidade de Melbourne, na Austrália, mostrou que exercício físico em excesso, assim como o sedentarismo, também pode causar danos ao coração. Foram feitas ressonâncias magnéticas em 40 atletas que estavam se preparando para participar de eventos extremos, como provas de triatlo ou ciclismo em montanha, e a maioria tinha distensões no músculo do ventrículo direito. Se for persistente, esse tipo de lesão pode causar arritmia, por exemplo. Os atletas foram avaliados duas semanas antes da competição, logo após a prova e cerca de uma semana depois. A maioria estava recuperada completamente depois de uma semana. Segundo os pesquisadores, uma combinação de treinamento sensato e tempo de recuperação adequado é capaz de trazer melhorias ao músculo cardíaco. São necessários outros estudos para saber qual o limite de esforço capaz de causar danos e se eles serão permanentes.

 Pesquisador: Miguel Almeida
 Fonte:http://drjairobouer.blog.uol.com.br/arch2011-12-11_2011-12-17.html#2011_12-17_10_22_27-2049287-0

Proteína do leite "decisiva" contra cancro da mama

Ficha de leitura nº6
Assunto: proteínas, cancro
Unidade: Imunidade e controlo de doenças

Investigadores do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UMinho) descobriram que a lactoferrina, uma proteína do leite, é decisiva no tratamento e prevenção do cancro da mama, foi hoje anunciado.

O estudo, recentemente publicado no "Journal of Dairy Science", concluiu que o tratamento de células cancerosas com lactoferrina reduziu a sua viabilidade para metade e a sua proliferação em quase dois terços.

A equipa de Lígia Rodrigues defende que produtos de leite e derivados devem ser enriquecidos com lactoferrina, como forma natural de não contrair cancro da mama ou prevenir a evolução da doença.

A lactoferrina, constituída por 703 aminoácidos, encontra-se predominantemente nos produtos de excreção das glândulas exócrinas dos aparelhos digestivo, respiratório e reprodutivo.

Assim, é possível encontrar esta proteína no leite, nas lágrimas, na saliva e no sémen.

Adicionalmente, a lactoferrina pode também ser encontrada no sangue.


Fonte: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2348734&seccao=Sa%FAde

Pesquisadora: Catarina Ribeiro

Esclarecida a genética do ciclo diário das plantas

Ficha de leitura nº5
Assunto: plantas e o seu ciclo diário
Unidade: património genético

A adaptação do mundo vegetal ao ciclo solar é controlada por um grupo de 12 genes com atuações precisas ao longo do dia. A descoberta pode ter vastas implicações na agricultura.

Cientistas da Universidade de Edimburgo identificaram a genética que controla o metabolismo das plantas e o chamado "relógio interno" que regula o ritmo biológico diário. Segundo a BBC, os investigadores conseguiram detetar um total de 12 genes que, ao atuarem em conjunto em determinados momentos do dia, preparam a planta para as horas de sol ou de noite. Esta investigação pode ter profundas implicações na agricultura, já que o gene que controla a dormência também está ligado à florescência. Os resultados foram replicados por outra equipa baseada em Barcelona.

Em causa, está a compreensão do chamado "ciclo circadiano", uma variação do metabolismo de todas as plantas conforme o ciclo solar diário. As plantas têm vários ritmos de absorção de nutrientes ou de água, fotossíntese ou respiração, conforme a sua exposição à luz solar, existindo um ciclo diário que foi pela primeira vez detetado na década de 30 do século passado e que ocorre em plantas e bactérias. O termo cirdadiano vem do latim "circa diem", ou "cerca de um dia".

O que entretanto se compreendeu foi que os genes envolvidos podem preparar a planta, por exemplo, para uma fase dormente.

No caso deste estudo, foi descoberta uma proteína, conhecida por TOC1, que à noite pode reduzir a atividade dos genes. Antes, pensava-se que esta proteína estava ligada ao aumento do metabolismo. Citado pela BBC, o chefe da equipa de cientistas, Andrew Millar, explicou que "o relógio biológico é particularmente importante para as plantas se prepararem para o dia e para a noite, armazenando energia para o crescimento.

Compreendemos agora como funcionam os 12 genes e como eles são típicos de determinadas horas do dia". Os mesmos genes estão envolvidos no controlo do ritmo diário em diferentes espécies e até em algas unicelulares. Embora a esperança de aplicações agronómicas seja elevada, falta ainda aos investigadores compreender a genética da fotossíntese, da absorção de azoto ou da fragrância, aspetos cruciais na vida das plantas.


Fonte:http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2354805&seccao=Biosfera


Pesquisadora: Catarina Ribeiro

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sequenciado o genoma de um gorila, um passo importante para o estudo da evolução humana

Ficha de Leitura nº4 
Conteúdo/Assunto: Genoma
Pesquisador: Ana Rita Rito



07.03.2012 Por Andrea Cunha Freitas 

Chama-se Kamilah, é uma fêmea da subespécie Gorilla gorilla gorilla, conhecida como “Gorila-do-ocidente”, e em 15% do seu genoma está mais próxima dos humanos do que os chimpanzés. O projecto de sequenciação do genoma do gorila foi completado e uma parte dos resultados, importantes para o estudo da evolução da espécie humana, foi publicada nesta quarta-feira na edição online da revista Nature

 Fonte: http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/foi-sequenciado-o-genoma-de-um-gorila--1536796


Sequenciado o genoma de um gorila, um passo importante para o estudo da evolução humana


07.03.2012 Por Andrea Cunha Freitas

Chama-se Kamilah, é uma fêmea da subespécie Gorilla gorilla gorilla, conhecida como “Gorila-do-ocidente”, e em 15% do seu genoma está mais próxima dos humanos do que os chimpanzés. O projecto de sequenciação do genoma do gorila foi completado e uma parte dos resultados, importantes para o estudo da evolução da espécie humana, foi publicada nesta quarta-feira na edição online da revista Nature

 Foi a primeira vez que os cientistas compararam os genomas dos quatro grandes primatas: humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. “O genoma do gorila é importante, porque nos dá mais informação sobre o momento em que os nossos antecessores se diferenciaram dos nossos parentes mais próximos. Também nos permite explorar as semelhanças e diferenças entre os nossos genes e o gorila, o maior primata vivo”, explica Aylwyn Scally, do Wellcome Trust Sanger Institute, Hinxton, Reino Unido. Estudos prévios mostraram que os humanos são mais próximos dos macacos africanos do que dos orangotangos e que somos mais próximos dos chimpanzés do que dos gorilas.

O artigo publicado na Nature por cientistas do Wellcome Trust Sanger Institute e outros investigadores envolvidos no projecto internacional confirmam estas conclusões. No entanto, as autores revelam que em 15% do genoma do gorila as semelhanças com os humanos são maiores do que se nos compararmos aos chimpanzés. “Analisámos mais de 11 mil genes em humanos, chimpanzés e gorilas à procura de alterações importantes na evolução da espécie. Os humanos e chimpanzés são geneticamente mais próximos na generalidade do genoma, mas a equipa encontrou excepções a essa regra. Em 15% do genoma os humanos são mais próximos do gorila do que dos chimpanzés e em 15% do genoma os chimpanzés são mais próximos do gorila do que dos humanos”, acrescenta Scally, numa nota de imprensa divulgada sobre este trabalho.

 O estudo revela ainda que há cerca de 500 genes que mostram uma evolução acelerada nas linhagens do gorila, humanos e chimpanzés e defendem que é possível afirmar que, em determinados aspectos, este processo de evolução aconteceu de forma muito semelhante, especialmente nos genes responsáveis pela audição. “Alguns estudos científicos sugerem que a rápida evolução nos genes responsáveis pela audição nos humanos está ligada à evolução da linguagem. Os nossos resultados colocam isso em causa, dado que os genes da audição evoluíram de uma forma muito semelhante nos gorilas e humanos.” Os autores do artigo referem ainda que estes primatas se separaram dos humanos e chimpanzés há 10 milhões de anos. Já a separação do gorila nas duas subespécies (da ocidente e do oriente) terá ocorrido há apenas 1,75 milhões de anos.

Além dos dados obtidos com a descodificação do genoma de Kamilah, os investigadores quiseram fazer comparações nesta espécie e também reuniram informação sobre outros três gorilas (dois da mesma subespécie – o macho Kwanza e a fêmea EB(JC) – e um da subespécie do oriente – o macho Mukisi). “A nossa investigação consegue o retrato final que possibilita a comparação entre os grandes primatas”, resume Richard Durbin, outro dos autores do artigo.

Os homens e os chimpanzés foram os primeiros primatas a terem a sua informação genética analisada letra a letra. O trabalho do genoma do macaco Rhesus, realizado por um consórcio internacional de cientistas e publicado na revista Science em 2007, revelou que os homens, os chimpanzés e os macacos partilham 97,5% dos seus genes. Uma nota da Universidade de Washington adiantava ainda nessa altura que, se confrontássemos o genoma humano com o do macaco Rhesus – um primata usado como modelo animal em diversas investigações –, podíamos constatar que as diferenças genéticas são da ordem dos 7%. Nas conclusões do artigo publicado na Nature, os investigadores sublinham: “Além de nos ajudar a perceber a evolução humana, o estudo dos grandes primatas remete-nos para um tempo em que a nossa existência era mais frágil, e, fazendo isto, destaca a importância da protecção e conservação destas impressionantes espécies.”