Ficha de leitura nº 11
Unidade de ensino: património genético
Conteúdo/assunto: Cancro da mama
O cancro da mama é um conjunto de células cancerígenas, isto é, células com DNA danificado que são prejudiciais para a saúde do individuo que as possui. Nessas células os mecanismos que intervêm na apoptose celular falharam e estas têm a capacidade para se reproduzirem (daí o perigo). Chama-se, neste caso, cancro da mama porque as células referidas situam-se na mama. Numa tentativa de conseguir estudar melhor o cancro para se conseguir arranjar uma possível cura, cientistas descobriram a forma como os receptores de estrogénio, hormona que existe na mulher, se ligam nem diferentes zonas do DNA, este tipo de conhecimento é importante porque as células cancerígenas precisam de estrogénio para sobreviver.
Pesquisadora: Carolina Costa nº5 Turma 12ºA EM 12/01/2012
Carlos Caldas explica como tumores mamários
resistem a tratamentos
Padrões de ligação de estrogénio variam em cancros de prognóstico diferente
Uma equipa de investigadores, especializados em cancro, do Instituto de Investigação de Cambridge, onde se destaca o cientista português Carlos Caldas, descobriu de que forma os receptores de estrogénio (ER) se ligam a diferentes partes do DNA em pacientes com cancro da mama, especialmente nos que têm mais apetência para ter uma recaída, segundo avançou um estudo publicado na «Nature».
Para o cientista português, que assina o artigo com o seu colega J. Carroll, “a observação mais importante é o facto de o estrogénio ter um padrão ‘de ligação’ ou ‘binding’ no genoma, que difere nos tumores de bom e mau prognóstico, porque pelo menos três quartos de cancros da mama são positivos para o receptor do estrogénio".
Para o cientista português, que assina o artigo com o seu colega J. Carroll, “a observação mais importante é o facto de o estrogénio ter um padrão ‘de ligação’ ou ‘binding’ no genoma, que difere nos tumores de bom e mau prognóstico, porque pelo menos três quartos de cancros da mama são positivos para o receptor do estrogénio".
Esse ER, no fundo, “é uma proteína existente no citoplasma das células, que quando penetra se liga ao receptor que migra para o núcleo, funcionando como um “factor de transcrição”, que por sua vez se liga ao DNA”, segundo explicou ao jornal «Ciência Hoje».
Para chegar a estes resultados, a equipa de Cambridge usou uma tecnologia moderna que mapeou todas as regiões do genoma (onde se liga o estrogénio), ou seja, quantificou todos os locais, onde o ER se liga a células cancerígenas. O mapeamento dos padrões de ligação dos receptores do estrogénio foi feito pela primeira vez em tumores reais.
O objectivo foi responder a uma pergunta comum: “Por que razão estes tumores se tornam resistentes a determinadas terapêuticas, como a hormonoterapia, ou inibidores da aromatase, entre outros?” Os cancros positivos para ER são tratados com esta terapêutica hormonal, mas nem todos respondem, porque se tornam resistentes. Os tumores positivos para o ER, mesmo tratados com intenção curativa – cirurgicamente e com terapias adjuvantes –, podem não ter resultados de melhoria significativos.
“Será que os tumores se tornam resistentes à terapia hormonal por perderem o ER? O trabalho mostra que não”, asseverou Carlos Caldas ao «Ciência Hoje». E sustentou que isto acontece porque “o ER vai para zonas do genoma que são resistentes à terapêutica”. A sua localização pode ocorrer em “diferentes partes do genoma” e é feita com a interação de outra proteína – a FOXA1 –, aliás esta é a responsável pela migração do estrogénio, "é ela que o leva para diferentes partes do genoma”.
Para chegar a estes resultados, a equipa de Cambridge usou uma tecnologia moderna que mapeou todas as regiões do genoma (onde se liga o estrogénio), ou seja, quantificou todos os locais, onde o ER se liga a células cancerígenas. O mapeamento dos padrões de ligação dos receptores do estrogénio foi feito pela primeira vez em tumores reais.
O objectivo foi responder a uma pergunta comum: “Por que razão estes tumores se tornam resistentes a determinadas terapêuticas, como a hormonoterapia, ou inibidores da aromatase, entre outros?” Os cancros positivos para ER são tratados com esta terapêutica hormonal, mas nem todos respondem, porque se tornam resistentes. Os tumores positivos para o ER, mesmo tratados com intenção curativa – cirurgicamente e com terapias adjuvantes –, podem não ter resultados de melhoria significativos.
“Será que os tumores se tornam resistentes à terapia hormonal por perderem o ER? O trabalho mostra que não”, asseverou Carlos Caldas ao «Ciência Hoje». E sustentou que isto acontece porque “o ER vai para zonas do genoma que são resistentes à terapêutica”. A sua localização pode ocorrer em “diferentes partes do genoma” e é feita com a interação de outra proteína – a FOXA1 –, aliás esta é a responsável pela migração do estrogénio, "é ela que o leva para diferentes partes do genoma”.
Carlos Caldas, Cambridge.
O recente estudo levanta a possibilidade de “desenvolver um fármaco que iniba o FOXA1, de forma a prevenir que o estrogénio se fixe ao DNA e, consequentemente, não exerça efeitos como factor de transcrição” e, assim, sabotando as células cancerígenas que “dependam do estrogénio para sobreviver”, sublinhou ainda o investigador. Contudo, ressalvou que este é “um passo ainda distante”.ER migratório
Em suma, este trabalho vem mostrar que existem padrões de ‘binding’ (ligação) que variam em tumores de prognóstico diferente, nomeadamente, os resistentes a tratamentos. É importante reter que a resistência às terapêuticas actuais não é causada pela perda do ER, mas por estar localizado noutra zona do genoma.
Os passos que se seguem são: “reproduzir esta experiencia, mas alarga-la a um número muito maior de tumores, para poder consolidá-la e determinar que se conseguimos prevenir que o FOXA1 leve o estrogénio para diferentes zonas do DNA e encontrando um componente ou fármaco que previna a ligação da proteína". Recorde-se que "o ER envia programas de transcrição de genes que levam à sobrevivência de células cancerígenas”, concluiu.
O cientista português Carlos Caldas é actualmente docente no Departamento de Oncologia na Universidade de Cambridge e investigador no Cancer Research UK Cambridge Research Institute.

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