Asunto: Bactérias do iogurte e doenças inflamatórias
Enzima produzida por microrganismo presente em iogurtes probióticos ajuda a diminuir quadros de inflamação no sistema digestivo
Pesquisadora : Daniela Carvalho
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, na
Alemanha, descobriu que alguns tipos de bactérias presentes nos
iogurtes, como os lactobacilos, podem proteger o corpo contra doenças inflamatórias do intestino. Em um estudo feito com camundongos, os especialistas mostraram que o efeito probiótico
desses microrganismos pode interromper processos inflamatórios do
corpo. A pesquisa foi publicada na edição deste mês do periódico Cell Host & Microbe.
Em experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram a ação da bactéria do grupo Lactobacillus casei, presente no ácido lático
do leite, e descobriram que ela produz uma enzima capaz de interromper
processos inflamatórios no organismo. Isso acontece pois a enzima quebra
moléculas que trabalham como mediadoras do processo inflamatório. No
caso, rompem as citocinas (moléculas que ajudam as células a se
'comunicarem') pró-inflamatórias — tipo de citocina que, diferentemente
das anti-inflamatórias, contribuem para os quadros de inflamação no
intestino.
De acordo com o estudo, transtornos intestinais crônicos, como a doença
de Crohn e a colite ulcerosa, são resultados de um mau funcionamento do
mecanismo de defesa do corpo. Nesses casos, as citocinas
pró-inflamatórias podem contribuir para a lesão no tecido devido a
processos inflamatórios crônicos, impedindo a cicatrização dos tecidos.
De acordo com Dirk Haller, coordenador do trabalho, essa enzima é um
elemento comum na área de pesquisa em tecnologia dos alimentos. Mas o
que é surpreendente na sua pesquisa é o fato de que a proteína tem força
para agir sobre importantes mediadores da resposta imunológica do
organismo a processos inflamatórios. Para o pesquisador, o mecanismo que
foi descoberto pode ajudar em novas abordagens de prevenção e
tratamento de doenças intestinais crônicas. Seu próximo passo será
realizar estudos clínicos que apliquem o uso farmacêutico da enzima em
seres humanos e comprovem sua eficácia.
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