sábado, 28 de abril de 2012

Bactérias do iogurte podem ajudar a combater doenças inflamatórias do intestino

Ficha de leitura nº2
Asunto: Bactérias do iogurte e doenças inflamatórias

Enzima produzida por microrganismo presente em iogurtes probióticos ajuda a diminuir quadros de inflamação no sistema digestivo

Pesquisadora : Daniela Carvalho

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, descobriu que alguns tipos de bactérias presentes nos iogurtes, como os lactobacilos, podem proteger o corpo contra doenças inflamatórias do intestino. Em um estudo feito com camundongos, os especialistas mostraram que o efeito probiótico desses microrganismos pode interromper processos inflamatórios do corpo. A pesquisa foi publicada na edição deste mês do periódico Cell Host & Microbe.

Em experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram a ação da bactéria do grupo Lactobacillus casei, presente no ácido lático do leite, e descobriram que ela produz uma enzima capaz de interromper processos inflamatórios no organismo. Isso acontece pois a enzima quebra moléculas que trabalham como mediadoras do processo inflamatório. No caso, rompem as citocinas (moléculas que ajudam as células a se 'comunicarem') pró-inflamatórias — tipo de citocina que, diferentemente das anti-inflamatórias, contribuem para os quadros de inflamação no intestino.

De acordo com o estudo, transtornos intestinais crônicos, como a doença de Crohn e a colite ulcerosa, são resultados de um mau funcionamento do mecanismo de defesa do corpo. Nesses casos, as citocinas pró-inflamatórias podem contribuir para a lesão no tecido devido a processos inflamatórios crônicos, impedindo a cicatrização dos tecidos.

De acordo com Dirk Haller, coordenador do trabalho, essa enzima é um elemento comum na área de pesquisa em tecnologia dos alimentos. Mas o que é surpreendente na sua pesquisa é o fato de que a proteína tem força para agir sobre importantes mediadores da resposta imunológica do organismo a processos inflamatórios. Para o pesquisador, o mecanismo que foi descoberto pode ajudar em novas abordagens de prevenção e tratamento de doenças intestinais crônicas. Seu próximo passo será realizar estudos clínicos que apliquem o uso farmacêutico da enzima em seres humanos e comprovem sua eficácia.

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