sexta-feira, 20 de abril de 2012

Novas bactérias multiresistentes e agressivas estão a surgir em Portugal

Ficha de leitura nº3
Unidade: Imunidade e controlo de doenças 
Fonte: http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2012/04/04/novas-bacterias-multiresistentes-e-agressivas-estao-a-surgir-em-portugal 
Pesquisadora: Alexandra Esteves
Conteúdo/Assunto: Bactérias mais resistentes e agressivas/Descoberta de Coimbra


Novas bactérias multiresistentes e agressivas estão a surgir em Portugal

"Recorrendo a estudos genéticos, temos verificado que estão a emergir  estirpes simultaneamente resistentes e virulentas (violentas, agressivas),  o que é preocupante", sustenta Gabriela Jorge da Silva, coordenadora da  investigação, que está a ser desenvolvida, há uma década, na Universidade  de Coimbra (UC). 
Com a capacidade que as bactérias têm de transferir o seu material genético  para outras famílias de bactérias, "a resistência à ação de antibióticos  é cada vez maior", daí que "identificar estirpes bacterianas de origem animal  ou hospitalar e os genes de resistência e de virulência, e a forma como  estes se disseminam em vários ambientes, é de extrema importância para a  compreensão do impacto na saúde pública da resistência aos antibióticos,  afirma. 
Gabriela Silva alerta, por isso, para a "necessidade urgente de um melhor  controlo da infeção hospitalar e para a racionalização do uso dos antibióticos".
"O custo do tratamento de infeções provocadas por bactérias resistentes  aos antibióticos é muito elevado, impõe novas consultas médicas, prolonga  a hospitalização do doente, obriga à utilização de antibióticos mais caros  e contribui para o aumento da taxa de mortalidade", conclui. 
Segundo um estudo realizado em 28 países europeus, divulgado em setembro  de 2011, a taxa de infeções em doentes internados em hospitais portugueses  é de 11 por cento, muito acima da média total, que se ficou pelos 2,6 por  cento. 
Para diminuir as infeções hospitalares, a Organização Mundial de Saúde  instituiu o Dia Mundial da Higiene das Mãos, que se assinala a 05 de maio,  tendo Portugal aderido à campanha em 2008. 
A investigação em curso abrange bactérias de origem hospitalar, animal  e ambiental, resistentes a vários grupos de antibióticos, nomeadamente derivados  da penicilina, incidindo na avaliação molecular da resistência e virulência  de "Acinetobacter sp.", "E.coli, Klebsiella sp." e "Salmonella sp.". 
Os investigadores conseguiram identificar "estirpes emergentes de Acinetobacter  multirresistentes aos antibióticos, e de E.coli, assim como genes e novas  estruturas genéticas envolvidas na disseminação da resistência aos antibióticos".
O objetivo dos estudos, "bastante complexos", é "abrir portas ao desenvolvimento  de novas estratégias de combate a infeções hospitalares", e à descoberta  de "novos antibióticos capazes de travar as novas resistências das bactérias".
Ao conhecer a forma como se propaga, "é possível implementar medidas  de prevenção atempadas, nomeadamente através da melhoria do controlo da  infeção, de forma a reduzir as infeções adquiridas no hospital e a mortalidade  associada a infeções causadas por bactérias multirresistentes, sustenta  a investigadora. 
Os estudos em curso envolvem uma equipa multidisciplinar, têm a colaboração  dos Hospitais da Universidade de Coimbra e das Universidades de Tromso (Noruega)  e de Leiden (Holanda) e são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia  (FCT) e pela "European Society of Clinical Microbiology and InfectiousDiseases".

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