quarta-feira, 7 de março de 2012

Imunidade contra infecções varia conforme a hora do dia

Ficha de leitura nº13
Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Pesquisadora: Alexandra Esteves
Conteúdo/Assunto: Imunidade/Horas do dia

Nova York - Uma nova pesquisa ajuda a consolidar a ideia de que a suscetibilidade a infecções está condicionada à hora do dia.
As células sanguíneas combatem os avanços e retrocessos das doenças com o ritmo circadiano diário do corpo. Por exemplo, os níveis de células T circulantes atingem o ponto máximo à noite e depois diminuem gradualmente. Estudos também demonstraram que o sistema imunológico reage a certas infecções manipulando os genes do relógio circadiano, produzindo o cansaço que geralmente acompanha a doença.
Um estudo da Universidade de Yale demonstrou que mesmo o sucesso da vacinação pode depender das variações circadianas. O estudo, que observou camundongos, foi publicado no periódico Immunity. Contudo, as descobertas estão relacionadas com estudos anteriores sobre seres humanos e outros animais.
Os pesquisadores descobriram que o ritmo circadiano influenciava nos níveis de uma proteína do sistema imunológico chamada receptor do tipo Toll 9, ou TLR9, ocasionando altas e baixas diárias. Quando os camundongos foram expostos a bactérias em diferentes horas do dia, os que foram infectados em um momento de menor da atividade da TLR9 desenvolveram sepsia severa e morreram bem antes que os que foram expostos em um momento de grande atividade da TLR9.
Em outra fase do estudo, os camundongos vacinados em um momento próximo ao pico diário de atividade da TLR9 tiveram respostas imunológicas mais fortes do que os que receberam a vacina em um momento de menor atividade de expressão da proteína pelo ritmo circadiano.
Os pesquisadores observaram que essas oscilações podem ter evoluído como uma forma de maximizar a proteção contra doenças como a malária - transmitida por mosquitos que tipicamente exibem padrões de alimentação diários.
A pesquisa também pode explicar porque o jet lag, ou seja,  fadiga e irritação em consequência de mudança de fusos horários após voos muito longos, que altera os ritmos circadianos, deu provas de afetar a imunidade. Com isso, conclui-se que a imunidade contra infecções varia com os ritmos circadianos diários.

domingo, 4 de março de 2012

Sexo faz bem ao coração, indica estudo publicado nos EUA

Ficha de Leitura nº3
Assunto/Conteudo: Sexo,Coração
Pesquisador: Miguel Almeida

MASSACHUSETTS - Um estudo publicado esta semana no "American Journal of Cardiology" garante que o sexo não faz bem apenas para o relacionamento.

As relações sexuais também ajudam a proteger o coração. No levantamento feito por médicos do New England Research Institutes, homens com uma vida sexual menos ativa tinham uma incidência maior de distúrbios como a disfunção erétil, o colesterol alto e hipertensão. Segundo a pesquisadora Susan A. Hall, coordenadora do estudo, fazer sexo de duas a três vezes por semana pode ter um efeito protetor para o coração por alguns motivos. Além de poder ser considerado um exercício de intensidade moderada, os hormônios liberados após a ejaculação ajudam a equilibrar uma série de funções metabólicas. Para os pesquisadores, homens com mais disposição para o sexo costumam ser menos sedentários e cuidam melhor da saúde. Por outro lado, uma vida sexual pouco ativa pode sinalizar a fase inicial de problemas físicos, em especial os ligados ao sistema cardiovascular, como infartos, derrames e pressão alta. A capacidade de ter relações sexuais pode ser um marcador para a saúde em geral. E dizem que, provavelmente, os homes ativos sexualmente têm relacionamentos íntimos, com parceiros regulares, o que ajuda a reduzir o estresse. O resultado do estudo mostrou que homens que fazem sexo em média uma vez ao mês têm o dobro dos problemas de saúde dos homens que fazem sexo duas ou mais vezes na semana, independente da idade. Estudos anteriores já demostraram que uma vida sexual pouco ativa pode indicar doenças silenciosas como a diabetes. A pesquisa, parte do "Massachusetts Male Aging Study", foi feita com 1.165 homens com idade média de 50 anos, sem histórico de doenças no coração no início do estudo. Os participantes foram acompanhados por 16 anos, em média. Para Susan Hall, o estudo é um alerta para os homens. "A perda da libido masculina e a disfunção erétil costumam estar associadas à fase inicial de algumas doenças crônicas perigosas. Por isso, se o desejo diminuiu, o ideal é procurar um médico para descobrir a causa do problema e receber o tratamento adequado", escreveu a pesquisadora no artigo.

 Fonte: http://oglobo.globo.com/saude/sexo-faz-bem-ao-coracao-indica-estudo-publicado-nos-eua-3064972

Espreguiçar é a receita para combater o stress

Ficha de Leitura nº2
Assunto/Conteudo: Combate ao stress 
Pesquisador: Miguel Almeida

Muitas espreguiçadelas são o remédio combater o stress no trabalho.
"Espreguiçar poupa umas doses de Xanax. Aprendam com os gatos que eles é que sabem. Volta e meia, façam uma pausa e espreguicem-se. Vão ver que o trabalho vos corre muito melhor", disse na quinta-feira Liliana Moreira, durante um seminário em Famalicão sobre "Fatores de risco psicossociais no trabalho".
Além do espreguiçar, a técnica sublinhou ainda, como formas de combater o stress, a importância do sorrir, do chorar e de um sonoro "ai", dito em forma de suspiro e com um respirar muito fundo, "como fazia a nossa avozinha".
O stress que, como adiantou, custa por ano 300 biliões de dólares nos Estados Unidos da América, com baixas médicas e absentismo laboral.
O stress pode conduzir a uma situação de esgotamento (o chamado "burnout").
"Espreguicem-se, espreguicem-se e espreguicem-se", insistiu Liliana Moreira.
Lembrou ainda que "sorrir é profissional", para apelar ao fim das caras sisudas no local de trabalho.
A psicóloga falava em Vila Nova de Famalicão, durante o seminário "Fatores de risco psicossociais no trabalho", promovido pela Associação de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave.
Estes fatores, como o stress, a violência e o assédio moral ou sexual serão, a partir de 2014, a principal causa de absentismo laboral em Portugal, segundo afirmou no mesmo seminário um responsável da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Investigadores holandeses produzem em laboratório carne com células estaminais


Ficha de Leitura nº3
Conteúdo/Assunto: Células estaminais
Pesquisador: Ana Rita Rito



20.02.2012 - 10:15 Por Agências, PÚBLICO

O primeiro hambúrguer deverá estar pronto em Outubro
Mark Post com amostras da carne produzida em laboratório (François Lenoir/Reuters)
 Investigadores holandeses utilizaram células estaminais bovinas para produzir carne e prevêem que em Outubro terão o primeiro hambúrguer em laboratório, orçado em 250.000 euros. Este feito, dizem os cientistas, pode vir a reduzir o número de gado abatido para alimentação e as emissões de gases com efeito de estufa.


Investigadores holandeses produzem em laboratório carne com células estaminais

20.02.2012 - 10:15 Por Agências, PÚBLICO

O primeiro hambúrguer deverá estar pronto em Outubro
Mark Post com amostras da carne produzida em laboratório (François Lenoir/Reuters)
 Investigadores holandeses utilizaram células estaminais bovinas para produzir carne e prevêem que em Outubro terão o primeiro hambúrguer em laboratório, orçado em 250.000 euros. Este feito, dizem os cientistas, pode vir a reduzir o número de gado abatido para alimentação e as emissões de gases com efeito de estufa.

A equipa de Mark Post, director do departamento de fisiologia da Universidade de Maastricht, produziu pequenos pedaços de músculo, com cerca de dois centímetros de comprimento por um centímetro de largura e meio milímetro de espessura. Estas pequenas tiras de músculo, produzidas a partir de células estaminais de bovino, serão misturadas com sangue e gorduras produzidas artificialmente e depois prensadas para, em Outubro, produzir um primeiro hambúrguer, orçado em 250.000 euros, disse aos jornalistas Mark Post, à margem da conferência anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que se reuniu neste fim-de-semana em Vancouver. Mas com a melhoria nas técnicas de produção, os preços irão baixar.

“O meu projecto visa criar carne a partir de células estaminais com uma tecnologia desenvolvida pela medicina há mais de 20 anos e que já atingiu a maturidade”, acrescentou Mark Post. “Os tecidos produzidos [em laboratório] têm exactamente a mesma estrutura dos originais”, garantiu. Além disso, a carne produzida em laboratório poderá ser controlada para apresentar certas qualidades, como por exemplo conter níveis elevados de ácidos gordos (Ómega 3), benéficos para a saúde. Esta técnica permite também produzir a carne de qualquer animal. “Poderíamos fazer carne de panda, tenho a certeza que sim”, disse Mark Post citado pelo jornal The Guardian.

Tornar produção de carne mais eficaz

Este projecto de investigação, que começou há seis anos, foi financiado por um doador que quer manter o anonimato e cujo desejo é “ver diminuir o número de animais abatidos pela sua carne e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, resultante da produção de gado”, acrescentou Mark Post.

“A produção de carne deverá duplicar até 2050 para responder à procura. Actualmente já mobiliza 70% das nossas terras agrícolas”, estimou o investigador holandês. A criação de gado contribui ainda para as alterações climáticas através das emissões de metano, gás com efeito de estufa.

“Vamos apresentar as provas de que isto é possível, o que abrirá a porta ao início do desenvolvimento deste produto e a todos os processos para tornar a produção mais eficaz, o que é essencial”, continuou. Mark Post espera ver esta carne produzida a grande escala nos próximos 10 a 20 anos.

Patrick Brown, professor de bioquímica da Universidade de Stanford, na Califórnia, salientou durante a mesma conferência de imprensa que a importância deste avanço é “denunciar a agricultura actual – e sobretudo a criação de gado – como a maior catástrofe mundial em curso”.

“Tudo o que travar a conversão de terras para a agricultura é algo de positivo”, disse Sean Smukler, investigador da Universidade da Colúmbia Britânica, à BBC. “Neste momento já estamos a atingir um ponto crítico em termos de terra arável disponível.” 




Jovem investigador português desenvolve nova estratégia para "matar" tumor à fome

Ficha de Leitura nº2
Conteúdo/Assunto: Tumor
Pesquisador: Ana Rita Rito


Texto de Renata Silva/Projecto Ciência 2.0 • 02/02/2012

Gonçalo Bernardes e a sua equipa criaram uma possível nova terapêutica que pode ser menos dolorosa e mais eficaz. E pode ser aplicada a vários tipos de cancro.

 Fonte: http://p3.publico.pt/actualidade/ciencia/2099/jovem-investigador-portugues-desenvolve-nova-estrategia-para-quotmatarquot-

Jovem investigador português desenvolve nova estratégia para "matar" tumor à fome 
Texto de Renata Silva/Projecto Ciência 2.0 • 02/02/2012 

 Gonçalo Bernardes e a sua equipa criaram uma possível nova terapêutica que pode ser menos dolorosa e mais eficaz. E pode ser aplicada a vários tipos de cancro. É quase como um correio de droga. Trata-se de anticorpos munidos de uma substância com uma missão: chegar aos vasos sanguíneos do tumor e destruir as células cancerígenas.
Experiências realizadas mostraram que este método tem resultados terapêuticos no combate ao cancro. É o que revela o estudo de Gonçalo Bernardes, 31 anos, doutorado em Química Biológica pela Universidade de Oxford, e da sua equipa, publicado recentemente na revista científica "Angewandte Chemie". Quando chega ao destino - os vasos sanguíneos que circundam o tumor -, a droga é libertada através de um estímulo químico, exercendo uma função terapêutica.

Chegando a este local, esta bloqueia a entrada de nutrientes que alimentam o tumor. A novidade aqui não está na ideia de matar o tumor à fome, que já é uma abordagem sobejamente explorada pela comunidade científica, mas sim na estratégia desenvolvida por Gonçalo Bernardes e a sua equipa. Drogas conjugadas com anticorpos “Os anticorpos que criámos são específicos para um receptor que está presente nos novos vasos sanguíneos e isso traz uma grande vantagem. É que estas drogas conjugadas com anticorpos podem ser virtualmente usadas para o tratamento de qualquer tipo de tumor sólido. A formação de vasos sanguíneos é uma característica comum a todos os tumores” explicou ao P3 Gonçalo Bernardes. O facto de ser específico para os vasos sanguíneos apresenta ainda uma outra vantagem. “Os mecanismos de resistência do tumor vão ser muito menores do que no caso dos anticorpos específicos para receptores que estão na superfície das células cancerígenas, pois estas podem estar em constante mutação”, salienta o investigador que, há cerca de dois anos, trabalha em Zurique.

 Uma terapia menos dolorosa “Existe uma esperança em se conseguir um tratamento alternativo mais específico, mais eficiente e menos doloroso para quem tem cancro”, concretiza. Contudo, não é possível prever quando (e se) a droga poderá ser aprovada para estudos clínicos. Seria, portanto, uma alternativa à quimioterapia. Nesta, o que acontece é que a droga usada não distingue as células saudáveis das células cancerígenas, limitando a quantidade que é possível utilizar e prejudicando a eficácia do tratamento. A investigação, feita com base em testes com ratinhos, trouxe como resultados um efeito terapêutico, em que são suprimidas as células cancerígenas. Contudo, são necessárias mais investigações, dado que o cancro não é eliminado. Próximos passos? “Queremos modificar a droga tornando-a mais potente, para que tenha uma capacidade mais forte para matar as células tumorais e testá-la em ratinhos e ver qual é a reacção em diferentes tipos de tumor. Com esta conjugação de droga e tipo de anticorpos, pensamos que talvez possamos chegar a efeitos terapêuticos superiores aos que conseguimos ter com o modelo actual”, responde Gonçalo Bernardes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cientistas conseguem regenerar corações depois de enfarte

Ficha de Leitura nº1
Conteúdo/Assunto: Regeneração
Pesquisador: Ana Rita Rito



13.02.2012 , Por Nicolau Ferreira


O coração começa a bater durante o segundo mês do desenvolvimento do embrião (DR)
 Uma dor tem início no peito. Não pára. Alastra-se para a região do braço esquerdo, vai quase até ao braço direito, chega às costas. Intensifica-se. Custa a respirar, a ambulância vem em socorro. No hospital, um diagnóstico: ataque cardíaco. O coração recebeu uma machadada valente, algumas vezes fatal, mas sempre irreversível, até agora. Uma equipa de cientistas utilizou células do coração de 17 pacientes com enfartes para tratar o próprio tecido cardíaco destes pacientes. Obteve, pela primeira vez, a regeneração de parte do coração. O estudo foi publicado nesta segunda-feira na revista Lancet.


Cientistas conseguem regenerar corações depois de enfarte

O coração começa a bater durante o segundo mês do desenvolvimento do embrião (DR)
 Uma dor tem início no peito. Não pára. Alastra-se para a região do braço esquerdo, vai quase até ao braço direito, chega às costas. Intensifica-se. Custa a respirar, a ambulância vem em socorro. No hospital, um diagnóstico: ataque cardíaco. O coração recebeu uma machadada valente, algumas vezes fatal, mas sempre irreversível, até agora. Uma equipa de cientistas utilizou células do coração de 17 pacientes com enfartes para tratar o próprio tecido cardíaco destes pacientes. Obteve, pela primeira vez, a regeneração de parte do coração. O estudo foi publicado nesta segunda-feira na revista Lancet.

A dor que se sente num ataque cardíaco é um sinal muito sério que parte das células do músculo mais importante do corpo está a morrer. O coração é o motor da circulação, força o sangue a chegar ao último capilar do corpo, de modo a alimentar todas as células. É uma bomba constante que começa a funcionar durante o segundo mês do desenvolvimento do embrião, durante a gravidez, e só termina quando se morre.

Esse bombear é possível graças à contracção das células musculares do coração, que não param. Mas ao longo da vida, devido à alimentação, hábitos sedentários ou até devido à genética, as artérias que alimentam estas células musculares podem de repente ficar bloqueadas e impedir o sangue de chegar a parte das células musculares cardíacas. As células não recebem nutrientes nem oxigénio, deixam de funcionar e morrem. O que se sente é a dor do enfarte.

O órgão nunca mais é o mesmo. Fica com uma cicatriz na região do tecido morto, deixa de conseguir bombear tanto sangue e uma caminhada de seis minutos torna-se num esforço. Mas uma equipa do Cedars-Sinai Heart Institute, Los Angeles, EUA, conseguiu pela primeira vez regenerar eficientemente parte do coração que ficou danificado e diminuir o tamanho das cicatrizes.

Para isso, os cientistas fizeram operações para recolheram células saudáveis do coração de homens que tiveram ataques cardíacos. No laboratório, conseguiram condicionar as células para se multiplicarem em milhões de células musculares. Passado cerca de um mês, os pacientes receberam entre 12 e 25 milhões de células musculares cardíacas. Um ano depois, quase metade da cicatriz tinha desaparecido, e parte do tecido do coração regenerou.

“Isto nunca foi conseguido antes, apesar de se ter passado uma década a fazer terapias de células em pacientes com ataques cardíacos. Agora conseguimos. Os resultados são substancialmente e surpreendentemente melhores do que o que obtivemos em animais”, disse Eduardo Marbán, médico, autor do estudo e director do instituto.

A equipa trabalhou com 25 pacientes, oito serviram de controlo e 17 experimentaram a nova terapia. Eram todos homens brancos, com uma média de idades de 53 anos e tinham tido um ataque cardíaco há menos de dois meses.

Ao longo de um ano, a equipa observou os homens tratados e o controlo. No grupo de controlo, apesar de serem seguidos o melhor possível, não houve praticamente regeneração do músculo nem diminuição da cicatriz. Ao fim de seis meses, o grupo controlo era capaz de andar mais 13,1 metros durante seis minutos, mas ao final de 12 meses andavam em média menos 9,6 metros. O grupo que passou pelo tratamento, durante os mesmos seis minutos, andavam mais 11,4 metros ao final de seis meses e mais 33 metros ao final de 12 meses.

Os ataques cardíacos fazem diminuir a quantidade de sangue bombeado que sai do coração. Embora o aumento desta quantidade fosse muito ligeira nos 17 homens que receberam as células musculares cardíacas e viram o seu coração regenerado, a equipa defende que o prognóstico é muito positivo.

Segundo o artigo, em terapias semelhantes em que se utilizaram células da medula óssea para tratar o coração, a diminuição da cicatriz foi mínima e não foi observável a regeneração do músculo. Ainda assim houve uma melhoria no prognóstico do estado do paciente passado dois anos. Por isso, para os autores, estes resultados que foram agora publicados “dão razões para esperar um benefício clínico ainda maior da [nova] terapia”.

Cientistas descobrem "chave geral" do sistema imunológico

Ficha de leitura nº12
Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Pesquisadora: Alexandra Esteves
Conteúdo/Assunto: Controlo de doenças auto - imunes/ Macrófagos

Chaves de reforço
Cientistas descobriram que o sistema imunológico possui uma série de "chaves liga-desliga".
Eles afirmam que essas chaves poderão ser reforçadas para tratar doenças causadas pela super-ativação do sistema imunológico, ou bloqueadas, para melhorar as vacinas.
O "reforço" de uma chave faz sentido porque os mecanismos descobertos estão presentes nas células, o que levaria a um modo de ação baseado na ativação ou desativação do mecanismo em um maior número de células.
Desligando o sistema imunológico
Uma equipe da Universidade de Dublin, na Irlanda, descobriu que uma proteína, chamada TMED7, pode desativar uma parte do nosso sistema imunológico, o que ocorre naturalmente quando uma infecção acaba de ser eliminada.
"Sem esses sinais de parada, como a TMED7, nosso sistema imunológico continuaria a agir, de forma descontrolada, eventualmente levando a doenças como o choque séptico," explica a Dra. Anne McGettrick.
Segundo ela, a manipulação dessas "chaves" pode acalmar nosso sistema imunológico, evitando que ele ataque nossos próprios corpos, como no caso das doenças autoimunes.
Por outro lado, tentativas de criar vacinas contra a malária e o HIV, por exemplo, têm falhado porque o sistema imunológico não ativa uma resposta forte o suficiente à vacina, o que a torna ineficaz para gerar imunidade.
"Remover a TMED7 das nossas células poderia ajudar a reforçar nossa resposta imunológica às vacinas, tornando-as assim mais eficazes," diz a Dra. Sarah Doyle, principal autora da pesquisa.
Cientistas descobrem
Chave geral do sistema imunológico: macrófagos humanos marcados com um corante ligado a anticorpos que se ligam à proteína IRF5. [Imagem: ICL]
Chave geral do sistema imunológico
Mas uma outra equipe, do Imperial College de Londres, fez uma descoberta ainda mais radical.
Eles afirmam ter identificado uma proteína, chamada IRF5, que é uma espécie de "chave geral" do sistema imunológico.
Essa proteína está presente em glóbulos brancos específicos, determinando se eles promovem ou inibem as inflamações.
As respostas inflamatórias são uma defesa importante que o organismo utiliza contra os estímulos nocivos, tais como infecções ou danos a tecidos.
Contudo, em várias situações, a inflamação excessiva pode prejudicar o próprio corpo. Na artrite reumatoide, por exemplo, que envolve uma inflamação excessiva, as articulações ficam inchadas e doloridas. Mas as razões por que isso acontece não são bem compreendidas.
Células do sistema imunológico, chamadas macrófagos, podem estimular ou suprimir a inflamação através da liberação de sinais químicos que alteram o comportamento de outras células.
O que a equipe da Dra. Irina Udalova descobriu é que a proteína IRF5 atua como um interruptor molecular que controla se os macrófagos promovem ou inibem a inflamação.
Os resultados sugerem que bloquear a produção da IRF5 nos macrófagos pode ser uma forma eficaz de tratar uma ampla gama de doenças auto-imunes, como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, lúpus e esclerose múltipla.
Por outro lado, aumentar os níveis de IRF5 pode ajudar a tratar as pessoas cujo sistema imunológico está comprometido.