Conteúdo/Assunto: Regeneração
Pesquisador: Ana Rita Rito
13.02.2012 , Por Nicolau Ferreira
O coração começa a bater durante o segundo mês do
desenvolvimento do embrião (DR)
Uma dor tem início no
peito. Não pára. Alastra-se para a região do braço esquerdo, vai quase até ao
braço direito, chega às costas. Intensifica-se. Custa a respirar, a ambulância
vem em socorro. No hospital, um diagnóstico: ataque cardíaco. O coração recebeu
uma machadada valente, algumas vezes fatal, mas sempre irreversível, até agora.
Uma equipa de cientistas utilizou células do coração de 17 pacientes com
enfartes para tratar o próprio tecido cardíaco destes pacientes. Obteve, pela
primeira vez, a regeneração de parte do coração. O estudo foi publicado nesta
segunda-feira na revista Lancet.
Fonte:http://www.publico.pt/Sociedade/cientistas-conseguem-regenerar-coracoes-depois-de-enfarte-1533587
Cientistas conseguem regenerar corações depois de enfarte
O coração começa a bater durante o segundo mês do
desenvolvimento do embrião (DR)
Uma dor tem início no
peito. Não pára. Alastra-se para a região do braço esquerdo, vai quase até ao
braço direito, chega às costas. Intensifica-se. Custa a respirar, a ambulância
vem em socorro. No hospital, um diagnóstico: ataque cardíaco. O coração recebeu
uma machadada valente, algumas vezes fatal, mas sempre irreversível, até agora.
Uma equipa de cientistas utilizou células do coração de 17 pacientes com
enfartes para tratar o próprio tecido cardíaco destes pacientes. Obteve, pela
primeira vez, a regeneração de parte do coração. O estudo foi publicado nesta
segunda-feira na revista Lancet.
A dor que se sente num ataque cardíaco é um sinal muito
sério que parte das células do músculo mais importante do corpo está a morrer.
O coração é o motor da circulação, força o sangue a chegar ao último capilar do
corpo, de modo a alimentar todas as células. É uma bomba constante que começa a
funcionar durante o segundo mês do desenvolvimento do embrião, durante a
gravidez, e só termina quando se morre.
Esse bombear é possível graças à contracção das células
musculares do coração, que não param. Mas ao longo da vida, devido à
alimentação, hábitos sedentários ou até devido à genética, as artérias que
alimentam estas células musculares podem de repente ficar bloqueadas e impedir
o sangue de chegar a parte das células musculares cardíacas. As células não
recebem nutrientes nem oxigénio, deixam de funcionar e morrem. O que se sente é
a dor do enfarte.
O órgão nunca mais é o mesmo. Fica com uma cicatriz na
região do tecido morto, deixa de conseguir bombear tanto sangue e uma caminhada
de seis minutos torna-se num esforço. Mas uma equipa do Cedars-Sinai Heart
Institute, Los Angeles, EUA, conseguiu pela primeira vez regenerar
eficientemente parte do coração que ficou danificado e diminuir o tamanho das
cicatrizes.
Para isso, os cientistas fizeram operações para recolheram
células saudáveis do coração de homens que tiveram ataques cardíacos. No
laboratório, conseguiram condicionar as células para se multiplicarem em
milhões de células musculares. Passado cerca de um mês, os pacientes receberam
entre 12 e 25 milhões de células musculares cardíacas. Um ano depois, quase
metade da cicatriz tinha desaparecido, e parte do tecido do coração regenerou.
“Isto nunca foi conseguido antes, apesar de se ter passado
uma década a fazer terapias de células em pacientes com ataques cardíacos.
Agora conseguimos. Os resultados são substancialmente e surpreendentemente
melhores do que o que obtivemos em animais”, disse Eduardo Marbán, médico, autor
do estudo e director do instituto.
A equipa trabalhou com 25 pacientes, oito serviram de
controlo e 17 experimentaram a nova terapia. Eram todos homens brancos, com uma
média de idades de 53 anos e tinham tido um ataque cardíaco há menos de dois
meses.
Ao longo de um ano, a equipa observou os homens tratados e o
controlo. No grupo de controlo, apesar de serem seguidos o melhor possível, não
houve praticamente regeneração do músculo nem diminuição da cicatriz. Ao fim de
seis meses, o grupo controlo era capaz de andar mais 13,1 metros durante seis
minutos, mas ao final de 12 meses andavam em média menos 9,6 metros. O grupo
que passou pelo tratamento, durante os mesmos seis minutos, andavam mais 11,4
metros ao final de seis meses e mais 33 metros ao final de 12 meses.
Os ataques cardíacos fazem diminuir a quantidade de sangue
bombeado que sai do coração. Embora o aumento desta quantidade fosse muito
ligeira nos 17 homens que receberam as células musculares cardíacas e viram o
seu coração regenerado, a equipa defende que o prognóstico é muito positivo.
Segundo o artigo, em terapias semelhantes em que se
utilizaram células da medula óssea para tratar o coração, a diminuição da
cicatriz foi mínima e não foi observável a regeneração do músculo. Ainda assim
houve uma melhoria no prognóstico do estado do paciente passado dois anos. Por
isso, para os autores, estes resultados que foram agora publicados “dão razões
para esperar um benefício clínico ainda maior da [nova] terapia”.

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