Assunto: Doença Rara
Pesquisador: João Paraíso
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=54117&op=all
"Investigadora lusa descobre terapia genética para tratamento de doença rara
A síndrome de Crigler-Najjar ou de Arias é uma doença genética extremamente rara, que exige que os pacientes estejam, no mínimo 12 horas por dia, sob o efeito de uma luz azul para poderem viver. Aliás, em Portugal apenas há um doente descrito, na zona de Bragança; a nível mundial, o grupo a carregar esta doença é também restrito e os que existem pertencem essencialmente a comunidades fechadas, tal como os Amish – grupo religioso cristão anabaptista, conhecido pelos seus costumes conservadores –, nos Estados Unidos.
Por isso, a investigação sobre o assunto é inexistente no nosso país e muito pouco popular no resto do globo. No entanto, a cientista portuguesa Paula S. Montenegro Miranda, do Tytgat Institute, em Amesterdão (Holanda), desenvolveu um estudo e descobriu uma terapia genética para esta doença autossómica recessiva. A investigadora elaborou toda uma tese de doutoramento – apresentada hoje na Universidade de Amesterdão – sobre o tratamento.
“Existe mesmo uma clínica de crianças para a comunidade Amish, já que sofrem imenso de doenças hereditárias, por se casarem dentro da mesma família”, segundo sublinhou Paula Miranda, ao jornal«Ciência Hoje». A investigadora explica que esta é uma doença que se caracteriza “pela mutação de uma enzima essencial para a excreção da bilirrubina" (produto do metabolismo do heme da hemoglobina) – que é neurotóxica em grandes quantidades – e é, por isso, que “os bebés, por exemplo, quando nascem com icterícia têm de ficar sob uma luz azul durante algum tempo. No caso destes doentes, tem de ser para a vida toda, por não conseguirem excretá-la”. Geralmente, estes pacientes ficam em tratamento de fototerapia durante pelo menos 12 horas por dia – geralmente à noite. A fototerapia exige que a pele fique exposta ao máximo. Como “a bilirrubina é hidrofóbica e a luz leva à criação de foto-isómeros, que permitirão que seja excretada”, continuou. A doença cria uma situação de prisão eterna e, por isso, a investigação de Paula Miranda foi financiada pelos próprios pacientes. Os grupos do Academic Medical Centre, num dos quais se insere agora a cientista lusa, em Amesterdão, já estudam as mutações da doença há mais de 30 anos. Vector da enzima UGT1A1 O projecto de Paula Miranda centrou-se no estudo do vírus AAV (Adeno-associated vírus), que “não provoca nenhuma doença" e, por isso, é usado como “vector da enzima UGT1A1”, que está em falta e transforma a forma insolúvel da bilirrubina para solúvel em água. Curiosamente, existe um mutante natural, o “gun rat” – descrito antes da própria doença –, que tem igualmente uma carência dessa enzima e também não consegue excretar a bilirrubina. O “gun rat” serviu de modelo para a terapia e os resultados foram um sucesso. “Conseguimos normalizar os níveis de bilirrubina”, contou a investigadora. O próximo ensaio clínico será com seis pacientes na Holanda e outros seis na França, dentro de dois anos, para testar a eficiência do vector. Mas, em princípio, os doentes da síndrome de Crigler-Najjar "poderão finalmente deixar de precisar" da fototerapia azul, segundo concluiu Paula S. Miranda."
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=54117&op=all
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