sábado, 26 de maio de 2012

Panamá investe em mosquitos modificados para travar malária

Ficha de leitura nº8
Unidade: Património Genético
Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=573327
Pesquisadora: Alexandra Esteves
Conteúdo/Assunto: Mosquitos geneticamente modificados para combater a malária 

 

Cientistas querem introduzir no Panamá mosquitos geneticamente modificados por uma empresa britânica para combater o insecto transmissor da malária, informou Néstor Sousa, director do Instituto Comemorativo Gorgas de Estudos de Saúde, com sede no Panamá.

 

Os mosquitos OGM (organismos geneticamente modificados) introduzidos seriam machos que competiriam com os seus congéneres pelas fêmeas, cuja descendência morreria por não conseguir sobreviver à fase de larva na água, a menos que recebam um suplemento nutritivo.
Esta característica corresponde a um gene introduzido em laboratório pela empresa de biotecnologia britânica Oxytec. Este processo tecnológico, ainda em fase de estudo e para o qual foram realizadas experiências no Brasil, Malásia e Ilhas Caimão, têm efeitos adversos teóricos, mas nenhum real, afirmou Sousa durante uma conferência.
Mas a técnica e a modificação genética geram muitos temores entre grupos de ecologistas, ainda mais porque até ao momento não há autorizações para este tipo de prática e os projectos para compra dos mosquitos OGM da Oxytec devem aguardar autorizações oficiais.
Sousa tenta tranquilizar os críticos. «Os efeitos adversos teóricos existem, mas não há um risco real», insistiu, acrescentando que este método de controlo é «mais seguro para o ambiente» do que os insecticidas.
Trata-se de «uma nova tecnologia para controlar as populações de mosquitos Aedes aegypti (...), ficou demonstrado que se se libertar estes mosquitos machos, periodicamente a população diminui», disse Sousa.
Além disso, assegurou que não há impacto ecológico ao eliminar o Aedes aegypti porque os mosquitos podem fazer «as suas mesmas funções» no ecossistema.
A tecnologia RIDL, da Oxytec, é uma variação melhorada da Técnica do Insecto Estéril, usada no Panamá há vários anos para controlar a Cochliomyia hominivorax.
Nesta técnica, machos «estéreis» são libertados para acasalar com fêmeas selvagens, reduzindo o êxito reprodutivo destas fêmeas. Repetidas libertações levam, portanto, à supressão da população selvagem.

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