terça-feira, 18 de outubro de 2011

Descoberta de equipa portuguesa abre novas perspectivas para a terapia genética


Ficha de leitura nº1

Unidade de ensino: Património genético

Conteúdo/assunto: síntese proteica e terapia genética


Uma equipa de cientistas portugueses descobriu a importância do processo de terminação da transcrição de genes, os "pontos finais" descobertos por Nicholas Proudfoot há mais de trinta anos. Quando um destes "pontos finais" era retirado de um gene de um insecto (mosca), o desequilíbrio na síntese de proteínas resultava em graves deformações ou morte do indivíduo. O gene selecionado para esta experiência está relacionado com o processo de divisão celular e diversos cancros em humanos, sendo já alvo para diversas terapias génicas. Esta descoberta é mais um passo para que se encontrem novas curas para este tipo de doenças.

Pesquisador: Sara Alberto


Uma equipa portuguesa de investigadores descobriu que os múltiplos «pontos finais» nos genes são mais importantes do que se pensava, o que abre novas possibilidades de desenvolvimento futuro de alvos de terapia genética, anunciou esta sexta-feira o IBMC.

Num artigo publicado hoje no 'EMBO Journal', investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto demonstram que «não é indiferente qual dos dois sinais de terminação do gene pólo que as células usam» e que «ter apenas um deles leva a que os organismos apresentem problemas graves de desenvolvimento, causando eventualmente a morte».

Numa experiência inédita em moscas-da-fruta, a equipa liderada pela investigadora Alexandra Moreira eliminou um «ponto final» de um gene, o que resultou em deformações no desenvolvimento que levaram à morte da maioria dos insectos.

O gene escolhido «tem um papel chave na divisão celular, está fortemente relacionado com vários tipos de cancro em humanos e é considerado um alvo para terapia genica».

«Os resultados foram surpreendentes e mais drásticos do que o que se poderia esperar: quando fazemos com que a mosca use apenas o primeiro ponto final, o efeito é devastador para a mosca», afirma Alexandra Moreira, citada, em comunicado, pelo IBMC.

Segundo o instituto, outros estudos recentes com células permitiram perceber que os «pontos finais» múltiplos «estão associados a processos mais complexos, como o cancro», no entanto, «todos estes estudos foram sempre feitos em células isoladas, não permitindo olhar para o que se passava num organismo vivo, como um todo».

Os autores referem que «o artigo tem grande importância internacional ainda a outro nível, concretamente na forma como explica a dinâmica de produção dos diferentes RNA [ácido semelhante ao DNA] dentro de um organismo».

«De facto, parece que a presença de ambos os pontos finais permite uma regulação muito mais eficaz dos níveis da proteína que deles resulta», refere o IBMC.

Para os investigadores, a grande inovação deste trabalho foi «mostrar, pela primeira vez, num organismo vivo a função destas assinaturas genéticas e as graves consequências fisiológicas que mutações nestes sinais podem ter».

Este estudo abre novas possibilidades de «alvos de terapia genética a desenvolver no futuro», explicam os autores.

A investigação envolve outros dois laboratórios, um no IBMC liderado por Claudio Sunkel, que descobriu o gene polo há mais de 20 anos, e outro na Universidade de Oxford, liderada pelo cientista que descobriu os «pontos finais» há mais de 30 anos, Nicholas Proudfoot.

SOL/Lusa


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