terça-feira, 18 de outubro de 2011

Infertilidade nas mulheres pode estar ligada à desregulação de enzima SGK1

Ficha nº1
Unidade: Reprodução e Manipulação da fertilidade
Conteúdo/Assunto: Gravidez/Fertilidade
Pesquisadora: Alexandra Esteves
Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/infertilidade-nas-mulheres-pode-estar-ligada-a-desregulacao-de-enzima-sgk1-1516953

INFERTILIDADE NAS MULHERES PODE ESTAR LIGADA À DESREGULAÇÃO DA ENZIMA SGK1
 
O controlo da SGK1 pode vir a ajudar as mulheres a conseguir engravidar 
São os nove meses mais bem imaginados do corpo humano. Um minúsculo parasita de algumas células instala-se no útero e durante as 39 semanas seguintes há um equilíbrio fisiológico que o deixa crescer. O útero é a interface que permite que tudo isto ocorra, mas primeiro tem que estar preparado para receber o futuro bebé. Os cientistas descobriram que a regulação da enzima SGK1 é fulcral para esta preparação e para a manutenção da gravidez. Quando não acontece, há problemas de reprodução ou de rejeição do embrião, explica um artigo publicado neste domingo na Nature Medicine.

Há muitas razões para um casal não conseguir ter filhos, desde espermatozóides com má mobilidade, até problemas genéticos. No caso das mulheres, uma em cada seis tem problemas em conseguir ficar grávida e uma em cada cem sofre de abortos espontâneos. A equipa de investigadores do Imperial College of London, liderada pelo professor Jan Brosens, analisou amostras do útero em 106 mulheres que ou não conseguiam engravidar ou abortavam com regularidade e andavam neste processo há dois anos, sem se descobrir causas.

Os cientistas descobriram o que havia em comum nas mulheres que não engravidavam, e nas mulheres que depois de engravidar abortavam. As primeiras tinham uma quantidade alta da enzima SGK1 na parede do útero durante os dias do ciclo menstrual em que este órgão se prepara para receber o futuro embrião e as segundas tinham uma quantidade pequena desta molécula quando o embrião já está implantado no útero.

Para perceber o significado destas características, os cientistas utilizaram ratinhos. Ao monitorizar a concentração de SGK1, verificaram uma diminuição da concentração desta enzima sempre que os ratinhos fêmea entravam na janela fértil, durante o ciclo menstrual. Quando aumentavam a expressão do gene desta enzima, para haver uma produção anormalmente grande de SGK1, os ratinhos deixavam de conseguir engravidar.

“A nossa experiência em ratinhos sugere que é essencial para a gravidez haver uma perda temporária de SGK1 durante a janela fértil, as amostras de tecidos humanos mostram que em algumas mulheres com dificuldades em conseguir engravidar esta concentração mantém-se alta”, disse em comunicado Jan Brosens. No artigo, os cientistas explicam que esta diminuição da SGK1 é importante para o funcionamento dos genes responsáveis pela implantação do futuro embrião no útero, caso a concentração mantenha-se alta estes genes não funcionam.

Mas a investigação da equipa mostra ainda que a enzima tem que voltar às concentrações normais depois deste interregno na sua actividade. Quando bloquearam o gene da SGK1 em ratinhos fêmeas que tinham engravidado e em células do útero humano que estavam em cultura verificaram que havia um stress oxidativo nas células, ou seja, vários químicos que são produzidos pela maquinaria das células e que as danificam não eram “digeridos” normalmente. “Isto pode explicar porque é que uma quantidade baixa de SGK1 é mais comum nas mulheres que tiveram abortos recorrentemente”, explicou.

Jan Brosens sugere que no futuro o controlo desta enzima pode ajudar as mulheres a conseguir engravidar ou pode ainda servir como um novo método de contracepção.

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