sexta-feira, 23 de março de 2012

Treino dos músculos segura urina


Ficha de leitura nº6
Unidade: Reprodução humana e manipulação da fertilidade/ Imunidade e controlo de doenças
Assunto: Hospital de Leiria: Exercício físico evita cirurgia
Em cada dez mulheres com filhos, duas ficam com incontinência urinária após o parto, o que pode ser curado através da exercitação muscular. O Hospital de Santo André (HSA), em Leiria, proporciona esse tratamento através do Serviço de Medicina Física e Reabilitação, onde funcionam as consultas de reeducação do pavimento pélvico.
Pesquisadora: Mariana Joaquim

"Este tratamento inclui sessões individuais em que o doente aprende, com a ajuda de uma sonda, a contrair os músculos de suporte da zona pélvica, que têm a característica de se entrelaçar entre si, servindo de reforço e de fecho do períneo.
A fase seguinte é constituída por exercícios de trabalho muscular, de correcção postural, abdominal e do períneo. A maior parte dos doentes são mulheres, já que o tratamento se destina a quem sofre de incontinência urinária de esforço ligeira, causada quase sempre pelo parto, ou que surge na menopausa.
"A incontinência urinária ocorre em qualquer situação de perda de urina, não se restringe a quem usa fralda, como os idosos", diz Lília Martins, directora do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do HSA, adiantando que "não interessa a quantidade de urina que se perde, mas a perda em si mesmo".
A taxa de sucesso é elevada, verificando-se que 70 por cento dos doentes dizem-se curados e em 90 por cento dos casos há uma redução muito significativa das perdas, o que proporciona uma melhoria da qualidade de vida. Saliente-se que, após o tratamento no HSA, os doentes devem continuar a fazer o treino muscular.
"Não é vir fazer a aprendizagem e ir de férias. Deve-se fazer a contracção durante cinco segundos, várias vezes ao dia, respeitando a fadiga muscular", frisa Lília Martins, acrescentando que os exercícios podem ser feitos, por exemplo, enquanto se cozinha, se estende a roupa ou se fala ao telefone.
Esta forma de tratamento é uma alternativa à cirurgia e representa uma mais-valia do HSA, exigindo uma boa preparação, experiência e motivação dos fisioterapeutas.

O MEU CASO: REGINA S. ROSA

"NEM PODIA PEGAR NA BACIA DE ROUPA"

Desde o nascimento da segunda filha, agora com 23 anos, que Regina Santos Rosa sentia "pequenas perdas" de urina, mas nunca deu importância. Há uns tempos, notou que a situação se agravava quando fazia esforços e queixou-se ao ginecologista.

Fez exames e ficou a saber que sofria de incontinência urinária de esforço, tendo-lhe sido sugerido que fizesse uma cirurgia ou experimentasse as consultas de reeducação do pavimento pélvico no Hospital de Leiria.

"Fui experimentar a fisioterapia e ainda bem, porque resultou a 90 por cento e quero chegar ao sucesso total", conta Regina Santos Rosa, adiantando que aprendeu a treinar os músculos e agora já os consegue exercitar quase sem se aperceber.

"O cérebro está treinado e já faço a contracção do períneo sem dar conta", explica, salientando que "não é fácil aprender a controlar esses músculos, fazer a força certa no sítio certo, contrair e descontrair no momento exacto". Para trás ficaram os dias em que "não podia pegar numa bacia de roupa seca nem tocar com o pé numa cadeira que perdia logo urina".

Regina Santos Rosa arrepende-se de não se ter queixado mais cedo : "O meu mal foi deixar arrastar, porque afinal este problema é fácil de tratar".

PERFIL

Regina Santos Rosa reside na Moita, Marinha Grande, tem 50 anos, é casada e tem duas filhas, de 25 e 23 anos. Sofria de incontinência urinária de esforço desde o nascimento da segunda filha, mas só se queixou quando o caso piorou.

DISCURSO DIRECTO
"O VALOR GENÉTICO É IMPORTANTE", Lília Martins, Serviço Medicina Física e Reabilitação
Correio da Manhã – Este tratamento está a registar muita procura?
Lília Martins – Até agora foram observados 35 doentes e temos mais 20 primeiras consultas marcadas.
Os resultados são duradouros?
– A manutenção dos bons resultados depende da qualidade e persistência do trabalho individual, realizado em casa.

Pode falar-se em cura?
– A cura é rara, há sempre o espirro que molha e curado significa nunca perder urina. Mas há uma melhoria significativa, que se reflecte na qualidade de vidas das pessoas.

Pode dizer-se que é uma doença frequente?
– É uma situação clínica muito frequente
nas mulheres e durante anos foi considerada tema tabu. Há dez anos passou a ter
uma orientação terapêutica na área da reabilitação.
A incontinência urinária é hereditária?
– Há uma grande característica pessoal e familiar. Nós já herdamos a constituição dos tecidos. O valor genético é importante."

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