Ficha de leitura nº 7
Assunto: Tratamento da tuberculose
Pesquisadora: Sara Alberto
Muitos doentes tratados para a tuberculose com isoniazida (o medicamento mais eficaz) desenvolvem problemas hepáticos graves. Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra conduz agora um estudo para analisar a influência dos genes na capacidade do organismo eliminar um medicamento, permitindo adequar as doses administradas a cada paciente.
Alguns doentes tratados com o medicamento mais potente e eficaz para tratar a tuberculose (isoniazida) desenvolvem lesões hepáticas graves ou mesmo irreversíveis.
Para tentar reverter este acontecimento, a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) lidera um estudo pioneiro, a nível internacional, sobre a influência dos genes na capacidade do organismo em eliminar um medicamento.
Ao Ciência Hoje, a coordenadora da investigação, Henriqueta Coimbra, explica que “a eliminação dos medicamentos pelo organismo está dependente da sua metabolização (degradação) por enzimas. Estas enzimas são codificadas por genes e variações individuais destes genes originam enzimas com diferentes actividades, influenciando, assim, a velocidade de eliminação do fármaco pelo organismo, as concentrações atingidas no sangue, a eficácia terapêutica e o aparecimento de efeitos secundários”.
Os investigadores da FMUC estão a estudar o gene NAT2, presente na isoniazida, para permitir a definição da dose adequada para cada doente e evitar o surgimento de complicações hepáticas.
A individualização da dose terapêutica tendo em conta o genótipo “promove a eficácia terapêutica e diminui a ocorrência de efeitos secundários”, afirma Henriqueta Coimbra. “No caso da isoniazida, o principal objectivo é diminuir a taxa de hepatites tóxicas agudas, efeito secundário mais temível porque pode exigir o transplante hepático ou levar à morte do doente”, acrescenta a também docente de Genética da FMUC.
Bactéria da Tuberculose (Créditos: Brinkmann/Schaible, MPI for Infection Biology)
Portugal tem a “maior taxa de incidência de tuberculose na Comunidade Europeia, mais de metade da sua população tem um perfil genético que favorece a acumulação excessiva do medicamento”, daí que a aplicação do método de melhorar o sucesso terapêutico e minimizar as complicações hepáticas seja fundamental.
A investigação dos cientistas da UC pode aplicar-se a outras patologias, nomeadamente “na área da oncologia, da cardiologia ou da hepatologia”, diz Henriqueta Coimbra.
“No serviço de Genética da Faculdade de Medicina de Coimbra estamos a proceder à genotipagem dos doentes com hepatite C para apoio à decisão terapêutica. Neste caso o marcador genético não está relacionado com a metabolização dos medicamentos usados mas com a resposta global do doente ao tratamento e à infecção, provavelmente por variações da resposta do sistema imunitário”, explica a investigadora.
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