sexta-feira, 1 de junho de 2012

Agrobiotecnologia cresce 12 por cento em 2007

Ficha de leitura nº 6
Assunto: Biotecnologia na agricultura
Pesquisadora: Sara Alberto




Durante o ano de 2007 foram cultivados mundialmente 114,3 milhões de hectares de plantas geneticamente modificadas, o que representa um aumento de 12% em apenas um ano.




Durante o ano de 2007, e após 12 anos de utilização, foram cultivados 114,3 milhões de hectares de variedades geneticamente modificadas. Este valor representa um aumento de 12 por cento a nível mundial em relação a 2006. Segundo o relatório anual do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (AIAAA), divulgado ontem, a área hoje cultivada com transgénicos corresponde a 8 por cento dos solos disponíveis para agricultura em todo o mundo.
O número de agricultores utilizadores de variedades geneticamente modificadas (GM) aumentou de 10 para 12 milhões, em 23 países. De acordo com o estudo, o número de países em vias de desenvolvimento (12) que utiliza a agrobiotecnologia ultrapassou o número de países desenvolvidos (11), tendo a taxa de crescimento de utilização triplicado nos países em desenvolvimento. Segundo o ISAAA, 90 por dos utilizadores desta tecnologia são pequenos agricultores e estão nos países em desenvolvimento.

Para além dos países produtores, outros 29 têm já aprovado os seus programas de regulamentação para produção agrícola, importação e processamento de alimentos e rações derivadas de culturas GM. Em 2007, os Estados Unidos da América, a Argentina, o Brasil, o Canadá, a Índia e a China foram os principais países a adoptarem a engenharia genética na agricultura. Nos próximos anos o ISAAA prevê um aumento dos países utilizadores, da área cultivada e do número espécies geneticamente modificadas, com o cultivo de arroz, trigo e beringela.

De acordo com o relatório, a soja continua a ser a principal cultura GM utilizada pelos agricultores, com 58,6 milhões de hectares ocupados, ou seja, 57 por cento da área cultivada por variedades transgénicas. O milho, o algodão e a colza são as outras culturas mais utilizadas.

Uma agricultura mais sustentável

Segundo o ISAAA, a biotecnologia pode ter um papel importante na concretização dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (Millennium Development Goals), propostos pelas Nações Unidas para reduzir a fome e a pobreza nos países em desenvolvimento. De acordo com o o relatório, a agrobiotecnologia promove a prática de uma agricultura cada vez mais sustentável porque impulsiona o aumento da produtividade, da segurança e sustentabilidade na produção e do processamento de alimentos e fibras. Esses aumentos podem crescer ainda mais com a utilização no futuro de plantas tolerantes à seca ou mais nutritivas. Prevê-se que os países mais beneficiados serão a China, Índia e África do Sul.

"A melhor opção para aumentar a produção é combinar o melhor da agricultura e prática tradicional e o melhor da biotecnologia, integrando as culturas adaptadas às condições locais específicas e as soluções tecnológicas mais adequadas", explicou Pedro Fevereiro, investigador em biotecnologia vegetal e presidente do Centro de Informação de Biotecnologia (CiB). "Neste contexto, e tendo em conta a história da agricultura dos últimos decénios, a agrobiotecnologia constitui uma importante evolução para a prática agrícola", acrescentou.

Brasil: líder global da agrobiotecnologia

Segundo os dados revelados pelo ISAAA, o Brasil teve o maior crescimento produtivo absoluto, totalizando 3,5 milhões de hectares, com destaque para as culturas de soja tolerante a herbicida e algodão geneticamente modificado. De acordo com o relatório, o Brasil está a emergir como líder global da agrobiotecnologia devido ao potencial significativo da aplicação desta tecnologia à cana-de-açúcar para a produção de etanol.

Índia e China aumentaram também as produções, com culturas como o algodão biotecnológico, mamão papaia resistente a vírus e choupos de crescimento rápido, resistentes a insectos que podem contribuir para uma reflorestação mais eficaz.

A África do Sul, o único país em África a produzir culturas transgénicas, aumentou a área utilizada em 30 por cento, totalizando 1,8 milhão de hectares. Este aumento deveu-se principalmente à utilização de milho branco transgénico para alimentação.

A Europa ultrapassou a barreira dos 100 mil hectares de culturas transgénicas, com um crescimento de 77 por cento. Actualmente a cultura GM é praticada em Espanha, França, República Checa, Portugal, Alemanha, Eslováquia, Roménia e Polónia. Espanha lidera com 70 mil hectares de milho, o que perfaz já 21 por cento da cultura deste vegetal no país.

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