Pesquisadora : Daniela Carvalho
Fonte : http://veja.abril.com.br/noticia/saude/exame-de-sangue-pode-salvar-vida-de-pacientes-com-cancer-de-mama
Níveis de células tumorais na corrente sanguínea podem indicar a probabilidade de sobrevivência de uma pessoa
Um simples exame de sangue pode salvar vidas, ajudando médicos a
diagnosticar rapidamente se uma paciente com câncer de mama em estágio
inicial corre um risco de morte ou de reincidência depois do tratamento.
Essa descoberta faz parte de uma pesquisa publicada nesta quarta-feira
no periódico The Lancet Oncology. No artigo, os autores
explicam que as células tumorais em uma amostra de sangue, quando
analisadas na etapa inicial da doença, permitem prognosticar
acertadamente as probabilidades de sobrevivência da pessoa com a doença.
Segundo os pesquisadores, que são do Centro Médico Anderson para o
Câncer da Universidade do Texas (MD Anderson), nos Estados Unidos, esses
resultados podem ajudar a identificar de maneira mais rápida as
pacientes para as quais seria benéfico receber um tratamento adicional
como a quimioterapia. "A presença de uma ou mais células tumorais em
circulação (CTCs, no sangue) prognostica uma recidiva precoce e uma
sobrevivência geral inferior", disseram os cientistas. Ou seja, quantas
mais CTCs encontrarem, maior será o risco de morte.
Em geral, não se costuma fazer exames de sangue de CTC para efetuar um
prognóstico do paciente ou prescrever um tratamento, já que, na maioria
das vezes, acredita-se que os tumores cancerosos se disseminam através
do sistema linfático, e não na corrente sanguínea.
Nesse estudo, a equipe fez testes com 302 mulheres tratadas no centro
da universidade entre fevereiro de 2005 e dezembro de 2010. As pacientes
estavam nas primeiras fases de câncer de mama — antes de se espalhar
para outras partes do corpo — e não tinham recebido quimioterapia.
A equipe encontrou CTCs em um quarto das pacientes. Entre as pacientes
cujos exames não mostraram CTCs, houve uma taxa de recidiva de 3% e uma
taxa de óbitos de 2%. Das que tinham células tumorais no sangue, uma em
cada sete teve o reaparecimento da doença depois do tratamento e uma em
cada dez morreu neste período. "Para as pacientes com concentração mais
elevada de CTCs, a correlação entre a sobrevivência e as taxas de
progressão foi ainda mais radical, com 31% das pacientes que morreram ou
tiveram recidivas", informou um comunicado de imprensa que acompanhou o
estudo.
O novo estudo afirma que "não é necessária uma doença avançada para que
as células cancerosas se disseminem (pelo sangue) e comprometam a
sobrevivência".
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