Ficha de leitura nº14
Acção conjunta de genes explica ligação entre diabetes e cancro
Investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, mapearam uma ligação molecular que explica como o diabetes aumenta o risco de certos tipos de cancro, avança o portal ISaúde.
A descoberta revela que a associação entre as doenças deriva de uma acção conjunta entre um gene que protege contra a morte celular e um gene que impede a divisão das células.
A equipa, liderada pela pesquisadora Yuedan Zhou, trabalhou com o gene de risco mais conhecido para o diabetes tipo 2, uma variante do gene TCF.
A variante TCF é comum em 25% da população saudável e 31% das pessoas diabéticas, segundo dados da pesquisa populacional Malmö Preventive Project.
Um gene de risco igualmente bem estabelecido na pesquisa do cancro é o p53. O gene foi chamado de "protector do genoma" porque impede a divisão celular descontrolada que ocorre no cancro. O gene p53 tem sido associado à protecção contra o cancro de cólon e fígado, entre outros.
"A função do gene TCF nas células beta é a de protegê-las contra os altos níveis de açúcar no sangue. Se essa função falha, as células beta morrem, o que leva ao diabetes", observa o pesquisador Ola Hansson.
Segundo os investigadores, os dois genes trabalham em conjunto, TCF protege contra a morte celular, enquanto p53 impede a divisão celular excessiva. "É aqui que a ligação entre diabetes e cancro surge. Quando os níveis de açúcar no sangue são altos, o gene TCF é activado e impede a actividade do gene p53, protegendo assim as células beta da morte celular", explicam os autores.
O grupo de pesquisa começou a trabalhar com o gene TCF há dois anos para entender o seu papel na produção de insulina. A descoberta da ligação com p53 e o cancro foi ocasional.
A equipa ainda está a dar continuidade ao mapeamento do gene TCF e está trabalhando para tentar influenciar p53 de modo que sua função tumor-preventiva seja restaurada.
De maneira semelhante, fortalecer a função protectora de TCF contra a morte das células beta em conexão com açúcar elevado no sangue poderia funcionar como um medicamento para o diabetes tipo 2, ou como um tratamento antes que a doença se tenha desenvolvido plenamente.
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