domingo, 20 de novembro de 2011

Diagnósticos mais exatos


Ficha de Leitura nº17
Unidade de Ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: Riscos da cocaína
Pesquisador: Ana Rita Rito



Exame de sangue para câncer de próstata: prós e contras

US Preventive Services Task Force recomenda que homens saudáveis deixem de fazer exame de sangue para detecção do câncer de próstata com o conhecido PSA (antígeno prostático específico). A recomendação é baseada em vários testes que indicam que a triagem não salva vidas. A notícia certamente gerará controvérsias e polêmicas sobre o valor da triagem. Para ajudar na discussão, preparamos um resumo dos argumentos usados pelos médicos de ambos os lados da questão.

Argumentos a favor do teste de PSA:
- A detecção precoce do câncer, quando ainda é curável, é importante.
- Detecção e tratamento precoce podem prevenir a doença metastática mortal. Se você não encontrar o câncer no início, pode perder a chance de cura.
- Os pacientes serão capazes de tolerar os efeitos do tratamento muito melhor se forem tratados numa idade mais jovem.
- A incidência global de mortes por câncer de próstata tem diminuído ao longo dos últimos 20 anos; esse declínio se deve também à generalização do exame de PSA e a tratamentos.
- Temos a sorte de possuir um exame de sangue que, na ausência de quaisquer indicadores físicos evidentes, pode ajudar a revelar a presença de um câncer.
- Os estudos que têm sido realizados sobre o valor do teste de PSA necessitam de prazos maiores; os resultados negativos poderiam decorrer de se avaliar os dados prematuramente.
- Para que haja um declínio ainda maior das mortes por câncer de próstata, até mesmo programas de exames mais vigorosos precisariam ser postos em prática.
- A nova tendência no cuidado para homens com câncer de próstata detectados pelo teste de PSA é a " vigilância ativa", na qual os homens não são tratados imediatamente, mas são acompanhados de perto com vários exames de seguimento. O tratamento começa quando os sinais indicam que o câncer está se tornando perigoso e precisa de tratamento. Mas a prática é semelhante a uma roleta russa, pois os resultados dos testes podem subestimar a extensão da progressão do câncer.

Argumentos contra:


- Estudos de longo prazo que se seguiram nos homens de mais de 20 anos não mostram nenhuma diferença nas taxas de mortalidade entre os indivíduos examinados e os que fizeram o exame.
- Se um nível de PSA é suspeito, os homens precisam fazer uma biópsia da glândula, e, se o câncer for encontrado, precisam considerar o tratamento. O peso da evidência argumenta que os homens que seguem por esse caminho não têm uma menor taxa de morte por câncer de próstata do que pessoas que nunca foram submetidas ao exame.
- A média de idade de diagnóstico de câncer de próstata é 71-73, mas os homens nessa faixa etária são mais propensos a morrer de outras doenças
- Os efeitos colaterais do tratamento podem incluir a incontinência urinária, disfunção erétil, e, entre aqueles que optam por radiação, inflamação da parte inferior do reto ou da bexiga. Esses efeitos secundários causam grandes mudanças na qualidade de vida dos pacientes e são difíceis de justificar, uma vez que muitos pacientes diagnosticados com câncer de próstata como resultado do teste de PSA nunca tiveram quaisquer sintomas do câncer. E esses não são os únicos riscos: muitos efeitos colaterais, como incontinência fecal, são subnotificados.
- Não há provas de que baixos graus de câncer de próstata progridam uniformemente a maiores graus, o que faz com que o tratamento prematuro não seja realmente necessário.
- A “vigilância ativa” pode ajudar a evitar o tratamento excessivo em resposta a um teste de PSA, assegurando que os homens que precisam de tratamento possam tê-lo a tempo de salvar a vida. Quando os homens participam de programas de vigilância ativa, a probabilidade de morrer por razões não relacionadas ao câncer de próstata foi 14 vezes maior do que as mortes pelo câncer. Então, a “vigilância ativa” parece uma forma razoável de minimizar as consequências negativas dos testes de PSA e está sob estudo continuado.

Devo observar que os homens com um forte histórico familiar de câncer de próstata e que são afro-americanos têm uma maior probabilidade de desenvolver câncer de próstata; por isso essas pessoas provavelmente continuarão fazendo o teste. Também acredito que será importante continuar com os testes de PSA em homens com próstata aumentada tratados com drogas conhecidas como 5-alfa-redutase (Proscar / Finasteride ou Avodart / dutasteride), uma vez que os níveis de PSA devem diminuir em resposta ao tratamento. Se o PSA não diminuir, esses homens podem estar mais arriscados a desenvolver a doença.

Por fim, precisamos urgentemente de um exame capaz de fazer uma boa distinção entre os cânceres de próstata que colocam a vida em risco e os que não o fazem. Precisamos também de tratamentos que apresentem menos riscos de efeitos colaterais graves.

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