Ficha de Leitura nº23
Unidade de Ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: Gripe
Pesquisador: Ana Rita Rito
Conteúdo/Assunto: Gripe
Pesquisador: Ana Rita Rito
| Melhor capacidade de acompanhar o curso de uma infecção por influenza pode ajudar no desenvolvimento de vacinas mais eficazes |
por Katherine Harmon
Ficar “derrubado” com uma gripe e ir se recuperando lentamente pode parecer um conhecimento avançado o suficiente. Mas muito do que acontece no seu corp,o em nível molecular, durante o tempo entre a infecção inicial e a recuperação total da doença ainda é um mistério para os cientistas.
Nós ainda não sabemos “o que mantém o tamanho do sistema imunológico” e o que o mantém em homeostase, afirma Peter Doherty, do Departamento de Microbiologia e Imunologia da University of Melbourne, no Grupo Científico Europeu de Trabalho sobre Influenza (ESWI ) na quarta conferência anual, em Malta.
Os sintomas externos da gripe são bastante familiares. E mesmo com relação aos sistemas, os cientistas podem prever, até certo ponto, como o sistema imunológico vai reagir a uma infecção. Mas Doherty ressalta: “O que nós precisamos começar a ver é o que está acontecendo nas células do sistema imunológico sob ataque”.
Quando o corpo é exposto a um patógeno estranho, o sistema imunológico envia várias linhas de defesa. Uma dessas primeiras linhas, as células T CD8, explica Doherty, são como soldados romanos, lutando ombro a ombro (com espadas curtas e escudos grandes para não serem mortos) como “sistemas letais de entrega de curto alcance”. E vendo como essas células agem quando são confrontadas com um novo invasor, os pesquisadores estão esperando para desarmar o inimigo com muita antecedência.
Avanços na genômica e epigenética recentemente ajudaram as equipes de pesquisas individuais a acompanharem células do sistema imunológico, permitindo uma nova visão de como a população de células mantém sua diversidade ao longo do tempo, além de acrescentar pistas sobre como o sistema imune como um todo muda durante e após uma infecção.
Quanto à gripe, as boas e velhas pesquisas com ratos (em que os investigadores “premiam” ratos com doses pequenas de uma cepa ou duas da gripe e mais tarde lhes dão uma cepa diferente para ver como suas células imunes reagem ao longo da infecção) têm apoiado muito do que os pesquisadores agora entendem sobre como o corpo reconhece as diferentes estirpes.
Ao contrário dos ratos que nunca haviam sido expostos à gripe, os camundongos que primeiro tiveram pequenas quantidades de H1N1 sobreviveram a uma infecção muito mais virulenta do que a cepa H7N7, sugerindo que os seus sistemas imunológicos estavam prontos para atacar até mesmo uma forma diferente de vírus.
Dito isso, Doherty apontou: “não somos organismos limpos como um rato de laboratório”. Com a idade dos seres humanos, observou ele, nossos sistemas imunológicos estão expostos a todas as infecções contra as quais nossos corpos desenvolvem antígenos específicos. E isso faz com que estudar respostas imunes em seres humanos seja mais complicado.
Mas a pesquisa feita durante o surto de H1N1, em 2009, mostrou que crianças seguiram curso no mesmo tempo em que ratos de laboratório, com o lançamento de uma resposta imune em cerca de sete dias.
Essa descoberta adiciona suporte à investigação em curso em camundongos com o intuito de ajudar a desenvolver uma melhor compreensão da dinâmica imune do ser humano.
Por enquanto, a gripe permanece imprevisível. E algumas cepas lá fora, como o H5N5, são extremamente mortais e não parecem estar assustadas com um sistema imunológico preparado e equipado. Para as estirpes como essas, Doherty explica, “você pode preparar-se absolutamente com todas as células T existentes no mundo, e não fará diferença. Você precisa de algo muito mais poderoso”. Mas como os pesquisadores ainda lutam por uma vacina melhor para mais cepas de gripe comum, encontrar uma forte prevenção para tal vírus continua sendo um desafio ainda mais difícil.
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