quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Investigadores portugueses descobrem gene supressor de cancro

Ficha de leitura nº14

Unidade: Património genético
Assunto/conteúdo: Cancro

Uma equipa de investigadores portugueses – do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra –, com a colaboração de parceiros de Santiago de Compostela e outras instituições, identificaram um gene presente nas células que enquanto existe, impede os tumores de se desenvolverem. No entanto, se perdido, permite a proliferação rápida destes. A produção de moléculas que mimetizam o comportamento do gene pode ser um grande passo no tratamento de diversos cancros.

Pesquisadora: Sara Alberto



O LRP1B “é um gene que está normalmente presente nas células e cuja expressão pode perder-se”, ou seja, “quando está presente retém o crescimento do tumor e quando ausente permite o seu desenvolvimento", segundo explicou Paula Soares ao «Ciência Hoje».

Este receptor de lipoproteínas, pertencente à família dos LDL, existente na membrana celular, "tem a função de transportar vários componentes da matrix extracelular", como por exemplo, o colesterol. A perda do gene LRP1B já “foi detectada em vários tipos de tumores”, prosseguiu a cientista do grupo de Biologia do Cancro. Os resultados agora publicados sugerem que a perda de LRP1B está relacionada com o desenvolvimento de cancro da tiróide.

O modelo estudado, por esta equipa de investigação, foi o carcinoma da tiróide. “Tentamos perceber de que forma é que a perda de expressão deste gene contribui para o crescimento tumoral”, sustentou ainda Paula Soares. O LRP1B não age directamente no tumor, mas em moléculas, existentes na matriz extracelular, importantes em diferentes tipos de cancro - o que torna a investigação mais aliciante, tendo em conta que poderá ser aplicada em outros tumores.

Novas terapias

Uma comparação entre tecidos de tiróides normais e cancerosos mostrou que quanto menos LRP1B existisse no tecido tumoral da tiróide, mais agressivo parecia ser. Numa segunda fase, quando os cientistas introduziram o LRP1B em células cancerígenas, observaram que as células positivas cresciam menos e tinham menos capacidade de invadir novos tecidos.

A esta nova descoberta irão seguir-se várias novas possibilidades. Segundo a principal autora do estudo,“por um lado, vamos iniciar um programa financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), para saber de que forma este gene altera o micro-ambiente das células tumorais; por outro, perceber em que outros tipos de tumor há perda de expressão deste gene”.

A ambição, por agora – e após perceber em que tipo de carcinoma existe alteração de expressão deste gene –, é tentar modificar o comportamento tumoral. “Sabemos que existe a possibilidade de sintetizar moléculas que mimetizem a acção normal do gene. O objectivo é reconstruir a acção que se perdeu”, concluiu a investigadora do IPATIMUP. O desenvolvimento destas moléculas poderá, num futuro próximo, resultar em novas ferramentas terapêuticas.

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