domingo, 20 de novembro de 2011

Novos riscos da cocaína

Ficha de Leitura nº16 
Unidade de Ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: Riscos da cocaína
Pesquisador: Ana Rita Rito



Droga contaminada está provocando surtos assustadores de pele escurecida e baixa contagem de glóbulos brancos
Por Francie Diep
As autoridades médicas adicionaram pelo menos mais um item na lista dos vários perigos da cocaína: a púrpura, uma erupção cutânea provocada por hemorragia interna de pequenos vasos sanguíneos. Dois artigos recentes nos principais periódicos médicos documentaram casos de usuários de cocaína que apareceram em ambulatórios com manchas de pele morta enegrecida nas orelhas, rosto, tronco ou extremidades. A doença provoca cicatrizes e às vezes requer cirurgia reconstrutiva. Noah Craft, dermatologista do Centro Médico Harbor-Ucla, coautor de um artigo sobre a doença, publicada on-line pelo Journal of the American Academy of Dermatology, em junho, diz que agora observa um caso por mês: “Tornou-se quase rotina”.

O motivo do surto é um medicamento veterinário contra parasitas que se tornou o ingrediente mais comum usado para diluir ou “batizar” a cocaína vinda da América do Sul para os Estados Unidos. A droga, chamada levamisole, já fora aprovada para tratamento de câncer, mas posteriormente foi recolhida devido aos efeitos colaterais. Atualmente, três quartos dos pacotes de cocaína apreendidos pela Drug Enforcement Administration americana contêm levamisole.

Igualmente preocupante é outro efeito colateral: uma contagem baixa, por vezes fatal, de glóbulos brancos denominados neutrófilos. Os médicos suspeitam que as duas condições sejam reações alérgicas à droga. Em uma versão, o sistema imunológico do organismo ataca a pele; na outra, a medula óssea.

Talvez os traficantes adicionem levamisole à cocaína por ser mais barata que a cocaína pura e por contribuir para o “barato” da cocaína. Estudos realizados entre as décadas 1970 e1990, quando o levamisole foi sugerido e aprovado para uso médico nos Estados Unidos, descobriram que ele melhorava o humor e provocava insônia e hipervigilância, efeitos semelhantes aos da cocaína.

Por enquanto, a DEA não vai mudar a forma de perseguir traficantes, afirma Barbara Carreno, porta-voz da agência. Mas os médicos estão aprendendo a identificar a erupção cutânea com mais rapidez. Craft anexou fotos de pacientes a um sistema informatizado de alerta usado por 1.300 hospitais de todo o país.

Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/novos_riscos_da_cocaina.html

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