Ficha de leitura nº8
Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Assunto/conteúdo: controlo da diabetes
Descoberta no Brasil de uma proteína que pode "proteger" células beta pancreáticas (produtoras de insulina) pode ajudar milhares de pessoas que sofrem de diabetes, impedindo a manifestação dos efeitos nefastos da doença.
Pesquisadora: Sara Alberto
O Diabetes mellitus é uma doença provocada pela deficiência de produção ou de ação da insulina, cujo principal sintoma é a alta quantidade de glicose no sangue (hiperglicemia), que pode causar diversos problemas crônicos, entre os quais a cegueira, a deficiência renal e as doenças cardiovasculares. Apesar dos esforços, a doença prossegue avançando sem cura. O que existe atualmente é apenas controle. De acordo com divulgações feitas por órgãos internacionais responsáveis pelo estudo do diabetes, cresce cada vez mais o número dos portadores dessa doença. E no Brasil isso não é diferente. Segundo a IDF (International Diabetes Federation), no ano de 2010, mais de sete milhões de brasileiros foram acometidos por essa patologia e, segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número deve dobrar até 2030.
Mas um estudo de mestrado desenvolvido no Instituto de Biologia (IB) pelo pesquisador Gustavo Jorge dos Santos dá um passo a mais para descortinar o seu entendimento. A pesquisa – orientada pelo professor Antonio Carlos Boschero e coorientada pelo professor Luiz Fernando de Rezende, que integra a linha de pesquisa de Pâncreas Endócrino – mostrou que a citocina anti-inflamatória CNTF (Ciliary Neurotrophic Factor) foi capaz de proteger células produtoras de insulina (células beta pancreáticas) contra a morte. “Assim, como uma das causas do diabetes é a morte dessas células produtoras de insulina, o CNTF pode ser um novo aliado na luta contra esse mal”, expõe o pesquisador.
O trabalho também indicou, primeiramente em animais, que a citocina (a qual designa um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes) avaliada pode garantir um efeito protetor prolongado, defendendo as células secretoras de insulina por pelo menos um período de 30 dias após o início do tratamento, abrindo novas possibilidades para a terapêutica auxiliar do diabetes, diminuindo a necessidade de injeções diárias ou então a dosagem de insulina injetada nos pacientes, o que pode melhorar a sua qualidade de vida.
O pesquisador investigou se esse efeito protetor do CNTF agia contra a morte causada pela droga aloxana ou pela citocina inflamatória interleucina-1-beta (IL1-beta) em células produtoras de insulina de camundongos (MIN6) e se o efeito do CNTF dependia da regulação da via da proteína AMPK (proteína quinase ativada por AMP), que atua como um ‘sensor energético’ celular. A investigação começou em 2009 partindo de dois princípios: já se sabia que o CNTF protegia as ilhotas pancreáticas e que a AMPK participava do processo de morte celular. Assim sendo, o biólogo Gustavo Jorge ficou intrigado se esse efeito protetor do CNTF dependia da inibição da AMPK e se ela era importante no processo de morte de célula produtora de insulina e, talvez, no desenvolvimento do Diabetes mellitus.
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