domingo, 20 de novembro de 2011

Luta sem fim


Ficha de Leitura nº19
Unidade de Ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: ONU
Pesquisador: Ana Rita Rito


ONU promete ação global contra doenças do coração, diabetes e câncer
por Katherine Harmon

Cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo usam tabaco, mas uma declaração recente da ONU tem o objetivo de reduzir esse número, em um esforço para prevenir doenças que lhe estão associadas, bem como mortes e custos econômicos.

A Palestina recebeu grande parte da atenção durante a reunião da Assembleia Geral da ONU esta semana em Nova York, mas a organização internacional abordou também várias outras questões importantes, incluindo as alterações climáticas e a saúde, que poderiam ter grandes efeitos para a população mundial a longo prazo.

No início desta semana, a Assembleia Geral da ONU dedicou uma sessão especial para a questão global de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), incluindo o câncer, diabetes, doenças cardíacas e doenças respiratórias. Em conjunto, essas doenças acabam com cerca de 36 milhões de vidas todos os anos (algo como 63% das mortes globais), e nas próximas duas décadas custarão em torno de 47 trilhões de dólares.

Grande parte das doenças anteriormente consideradas como relacionadas aos ricos, como diabetes, doenças cardíacas e outras condições ligadas a um estilo de vida com sobrepeso e obesidade, são cada vez mais comuns entre pessoas e países desfavorecidos economicamente. Essas doenças não transmissíveis "atingem os pobres e vulneráveis de forma particularmente mais problemática e os conduzem mais profundamente para a pobreza", afirmou o secretário-geral Ban Kai-moon, na reunião.

A última Assembleia Geral com uma sessão especial de alto nível sobre questões de saúde aconteceu há 10 anos, quando os estados-membros se reuniram para discutir HIV e aids, num encontro que abriu o caminho para o Unaids (Programa Conjunto das Nações sobre HIV e AIDS). Muitos funcionários da saúde pública estão esperançosos de que, além de chamar a atenção para a causa, o encontro possa resultar em uma redução real das doenças e mortes nesse campo.
A reunião da saúde desta semana acabou com uma intenção unificada para reduzir a incidência dessas doenças não transmissíveis, mas muitos já criticam a falta de especificidade e de prazos. "O que falta é um compromisso com a ação", disse à Reuters o professor de saúde pública da Emory University KM Venkat Narayan, participante da reunião. A Assembleia Geral encarregou a Organização Mundial da Saúde de desenvolver mais especificamente metas globais e recomendações de monitoramento até o final do próximo ano.

Lutar contra essas doenças não transmissíveis exige uma abordagem diferente da que se tem no combate às doenças infecciosas, muitas das quais, como a varíola e a poliomielite, já foram eliminadas. Um nível de ação deve ocorrer nas áreas política e corporativa, com o estabelecimento de regulamentos que desencorajem a fumar e limitem a quantidade gorduras trans em alimentos processados. A última medida é ainda mais desafiadora: levar as pessoas a mudar seu comportamento e adotar estilos de vida mais saudáveis.

Os estados-membros não estão desprovidos de modelos. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, dirigiu-se à sessão segunda-feira com as revisões da cidade sobre suas novas e baixas taxas de fumo, rótulos de calorias no menu das grandes cadeias de restaurantes, campanhas contrárias ao refrigerante e a favor da redução de sal. Essas conquistas, que aumentaram a expectativa de vida em Nova York em 1,5 anos entre 2001 e 2008, tomaram algum força política. "Há poderes que apenas os governos podem exercer, políticas que só os governos podem gerar, mandatos a fazer cumprir e resultados que só os governos podem alcançar", disse Bloomberg ao Wall Street Journal.

Nassir Abdulaziz Al-Nasser, presidente da Assembleia Geral, disse que os governos, empresas e indivíduos devem trabalhar juntos para impedir que os problemas profundos dessas doenças não transmissíveis aumente. "As DNT estão alterando a demografia", disse ele. "Elas são o nanismo do desenvolvimento. E estão impactando o crescimento econômico." A turbulência financeira desta semana gerou quase tantas manchetes como a da Palestina, razão pela qual o argumento econômico pode ser um dos maiores aliados para a saúde global.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/luta_sem_fim.html

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