sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ficha de leitura n.º10
Unidade: Património Genético
Assunto: Contributo de Mendel

Gregor Mendel (1822-1884) foi o primeiro cientista que realizou experiências verdadeiramente importantes para o esclarecimento da transmissão dos caracteres hereditários. Este investigador realizou muitas experiências com animais e plantas, mas os trabalhos que ficaram ligados ao seu nome foram realizados com ervilheiras. É importante realçar que, nos tempos de Mendel ainda se desconhecias os termos de genes, DNA, cromossomas, ...

Pesquisador: João Paraíso, n.º11

"O monge que se transformou no pai da genética

Gregor Mendel nasceu há 184 anos e iniciou as suas experiências com ervilhas

2006-07-21
Por Por Patrícia Gonçalves
Quem diria que os segredos da genética começaram a ser descobertos no jardim de um mosteiro? Mas foi exactamente com um simples pé de ervilhas que Gregor Mendel acabou por descobrir as leis da hereditariedade que revolucionaram a biologia e acabaram por traçar as bases da genética. Amanhã, dia 22, este monge de origem austríaca faria 184 anos e, apesar de não ter sido reconhecido pelos seus contemporâneos, é hoje considerado o pai da genética.
A história começa como muitas outras. Era uma vez um jovem de nome Gregor Jonhann Mendel, nascido em 1822, na cidade de Heizandorf, na Áustria, que aos 21 anos decidiu entrar para o mosteiro de S. Tomás, em Brno. Foi exactamente o seu percurso religioso que o conduziu à ciência e depois de se ter tornado monge decidiu aprofundar os seus conhecimentos nas disciplinas como física ou matemática, na Universidade de Viena. Quatro anos de formação tornaram-no num homem muito à frente do seu tempo.

De volta ao mosteiro, iniciou as experiências no jardim que estava sob sua responsabilidade, decidindo cruzar e produzir híbridos de plantas com características distintas: ervilhas amarelas com ervilhas verdes; plantas altas com plantas anãs … Durante sete anos, entre 1856 e 1863, realizou centenas de cruzamentos entre plantas de características diferentes, embora da mesma espécie, e observou os resultados surpreendentes. Ou seja, constatou que as características obtidas não se diluíam nem tão pouco resultavam em meio termo: o rebento híbrido de uma planta alta e de uma anã era sempre alto e não de tamanho médio.

As descobertas científicas foram, contudo, ignoradas pelos seus contemporâneos. Nem mesmo os dois grandes trabalhos que publicou na altura – «Ensaios com Plantas Híbridas» e «Hierácias obtidas pela fecundação artificial» – obtiveram qualquer tipo de reconhecimento. Actualmente, estas obras são clássicos e as leis da hereditariedade adquiririam o seu nome, sendo conhecidas como as Leis de Mendel.

O trabalho científico do monge austríaco foi o primeiro passo para perceber por que é que um filho pode ter os olhos do pai e o nariz da mãe. É que, tal como ficou provado com as ervilhas, as características físicas de uma geração são transmitidas às gerações seguintes… Mas também foi a origem da capacidade do homem em modificar o gene de uma planta, por exemplo, de forma a torná-la mais resistentes às pragas: os transgénicos.

O reconhecimento, tal como aconteceu com a maioria dos génios da História, veio depois da sua morte (6 de Janeiro de 1884), no início do século XX, quando outros investigadores confirmaram as teorias de Gregor Mendel. Só nessa altura a justiça foi feita e foi-lhe dado o título de pai da genética."

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