quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ficha de Leitura n.º2

Unidade de Ensino: Produção de alimentos e sustentabilidade

Conteúdo/Assunto: Controlo de Pragas

Graças a um projeto desenvolvido no nosso país desde 2002 a propósito do controlo de pragas no arroz para consumo e, já alargado a outros cereais, permitiu um reconhecimento internacional sobre as investigações levadas a cabo no nosso país. Já existem, até há data da notícia, 14 países interessados em englobar este projeto nacional no arroz produzido nesses países.

Pesquisador: João Paraíso, n.º11


Projecto português de controlo de pragas no arroz alargado a outros países


Um projecto de controlo de pragas no arroz para consumo, sem recurso a químicos, que Portugal desenvolve desde 2002, vai ser alargado a outros cereais, tendo instituições de investigação de 14 países mostrado já interesse em participar.

A intenção de desenvolver um novo projecto, abrangendo outros cereais, foi revelada à agência Lusa por Maria Otília Carvalho, do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), à margem da reunião da presidência portuguesa da Eureka, iniciativa intergovernamental de apoio à inovação europeia, que decorre em Sines.

"Vou tentar fazer um novo projecto [no âmbito da Eureka], alargando-o a outros cereais. Já temos 14 países interessados, com instituições que querem fazer parte, apesar da proposta ainda não estar acabada", disse.

Segundo Maria Otília Carvalho, entre os interessados estão as universidades norte-americanas do "Kansas e do Oklahoma e dois institutos de investigação do Canadá", assim como outras "instituições de França, Dinamarca e Inglaterra", entre outros países. A SEAR - Sociedade Europeia de Arroz, instalada em Santiago do Cacém, foi a primeira instituição portuguesa que se lançou no projecto do IICT.

Entretanto, outras entidades nacionais começaram a utilizar destes métodos, como a Aparroz - Agrupamento de Produtores de Arroz de Vale do Sado, de Alcácer do Sal, ou a empresa Saludães. Desde que foi integrado na iniciativa Eureka, em 2006, Portugal passou a desenvolver o projecto em conjunto com a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Israel e EUA.

Desde 2002

Projecto de arroz para consumo, sem recurso a químicos, tem sete anos
Projecto de arroz para consumo, sem recurso a químicos, tem sete anos
O projecto de controlo de pragas no arroz para consumo, sem recurso a químicos, que foi desenvolvido desde 2002 e terminou este mês, foi apresentado, na reunião da Eureka, como um exemplo de sucesso na implementação da inovação e tecnologia no sector agro-alimentar.

Uma das metodologias desenvolvidas e implementadas pelo IICT foi a utilização de "big bags(sacos grandes) herméticos", que "pesam uma tonelada", mas que Maria Otília Carvalho garantiu serem "um método muito simples e eficaz" no controlo de pragas no arroz. Nestes "big bags", explicou, reutiliza-se dióxido de carbono, que o cereal "respira" e que permite "criar vácuo", mantendo a "qualidade do arroz", antes de ir para o processamento ou para o embalamento.

A prevenção, mantendo os níveis de higiene do arroz, é também uma forma de controlo que não é nociva para o ambiente, referiu. O objectivo das metodologias no projecto passa também por "reduzir o erro de tratar [com químicos] quando nem é necessário", antes do arroz ir para o mercado, explicou Maria Otília Carvalho.

A Eureka (Network for Market Oriented R&D) tem como principal objectivo estimular a produtividade e a competitividade da indústria europeia, promovendo a ligação entre empresas e instituições de investigação.

A segunda reunião de trabalho da presidência portuguesa da Eureka decorre em Sines até sexta-feira reunindo 150 delegados dos 38 países europeus, com o objectivo de incentivar a promoção de novos projectos de investigação no sector empresarial.

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