sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ficha de Leitura n.º6
Unidade: Reprodução humana e manipulação da fertilidade
Assunto: Controlo e Regulação Hormonal

Muito se deve ao avanço das tecnologias e das ciências, e neste caso em particular, às neurociências pois, foi através dela que se encontrou o "primeiro passo" para combater um dos problemas que afecta mais a população na actualidade, a obesidade.

Pesquisador: João Paraíso, n.º11



"Identificado receptor hormonal coresponsável pela regulação do apetite

Descoberta de neurocientistas americanos deve ajudar a desenvolver um novo tratamento para o controle da obesidade


Um novo receptor hormonal foi identificado por neurocientistas da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, como responsável pela regulação do apetite e do metabolismo. O resultado do estudo acrescenta uma novidade para o corpo de evidências que sugerem que a obesidade humana é devida, em parte, a fatores genéticos.

Os autores relataram que ratos geneticamente modificados que não expressam o receptor de lipoproteína LRP1 no hipotálamo do cérebro começaram a comer descontroladamente, crescendo obesos e letárgicos.

Eles descobriram que LRP1, um transportador principal de lipídios e proteínas em células do cérebro, é um "co-receptor" com o receptor da leptina, o que significa que tanto a leptina quanto os receptores LRP1 precisam trabalhar juntos para transmitir os sinais da leptina.

A leptina decide se a gordura deve ser armazenada ou utilizada, resultando em letargia ou energia. Ao trabalhar corretamente, o hormônio, que é produzido quando as células do corpo retiram gordura dos alimentos, viaja até o cérebro para conter o apetite.

"Se uma pessoa nasce com muito pouca expressão do gene no caminho da leptina, que inclui seus receptores, ou o circuito não está funcionando bem, então a leptina não funciona tão bem quanto deveria. O apetite vai aumentar e a gordura corporal será armazenada", observou o investigador principal do estudo, Guojun Bu.

Diante desses resultados, os pesquisadores acreditam que pode ser possível desenvolver um tratamento que aumente a expressão de genes em um ou ambos os receptores da proteína, aumentando as mensagens enviadas para o cérebro destinadas a diminuir o apetite.

A equipe de pesquisa descobriu que camundongos com neurônios faltando LRP1 tinham menos capacidade de absorver o colesterol, e que eles perderam o contato com outros neurônios na sináptica, comprometendo sua capacidade de reter memória. Além disso, eles se surpreenderam quando descobriram que os ratos de repente ganharam peso.

Os camundongos eram indistinguíveis dos ratos de controle nos primeiros seis meses de vida, mas depois ganharam peso rapidamente, um fenômeno que se correlacionou com a diminuição na expressão de LPR1 no sistema nervoso central.

Aos 12 meses de idade, os ratos geneticamente modificados tinham duas vezes mais gordura no corpo, mais falta de energia e eram mais resistentes à insulina do que os ratos do grupo controle.

"Juntos, estes resultados indicam que LRP1, que é fundamental no metabolismo lipídico, também regula a ingestão alimentar e o balanço energético no sistema nervoso central adulto", afimrou Bu."

Nenhum comentário:

Postar um comentário